A Estrutura da República

12/10/2017 20:59

 

            Sócrates, como na maioria das obras platônicas, é o personagem principal da República e levanta a questão de uma vida e de uma sociedade justa, vendo na educação um meio para alcançá-la e mostrando a necessidade de se dedicar a uma vida de excelência, da qual é necessário o cultivo das virtudes como a temperança, a coragem, a sabedoria e a justiça. Ele representa o filósofo que se esforça constantemente para atingir a sabedoria e as virtudes em sua própria vida. Como um mentor educacional, Sócrates mostra-se como  um tipo de “parteiro” de ideias, e um pedagogo que conduz os líderes  potenciais a descobrir a verdade por si mesmo, “expurgando-os”  das falsas opiniões e encorajando-os a perseguir a verdade com a ajuda  de seu mentor filosófico.

            Além de Sócrates temos Trasímaco, que participa ativamente na discussão  apenas no Livro I, representando  a posição dos sofistas como  defensores do auto-interesse e do governo tirânico da comunidade pela  força e, assim, sua presença permanece durante todo o diálogo, representando as tendências tirânicas dos sofistas no reino político  e social.

            No diálogo aparecem ainda os personagens Glaucon e Adimanto que representam o papel de filósofos potenciais, colocados entre a força tirânica e a persuasão filosófica, entre a opressão violenta e uma sociedade justa, e entre os pólos da vida filosófico-prática e a busca sofística do auto-interesse.

            Eis a estrutura da obra: Sócrates está presente no diálogo  como um mentor filosófico deste jogo e um filósofo da mais alta categoria. Os sofistas são a principal oposição de Sócrates e são representados por Trasímaco como um competidor profissional para o governo e a soberania da cidade e como um importante jogador na disputa pela supremacia pedagógica  no processo de estabelecimento de uma sociedade justa ou tirânica. Os outros que entram no jogo, particularmente Adimanto e Glaucon, são  amadores – nem filósofos profissionais nem sofistas. Daí  eles terem Sócrates e Trasímaco diante deles como modelos pedagógicos  e de liderança jogando o jogo sério da vida política  e como mentores rivais na direção e educação de seus cidadãos. Assim, Sócrates e Trasímaco representam  tipos opostos de liderança e de abordagens educacionais – Trasímaco  como o sofista tirânico e dominador, por um lado, e Sócrates  como o filósofo capacitado e co-pesquisador da sabedoria, por outro. A coerção sofistica de um lado e a persuasão filosófica de outro.

            Agora que já conhecemos um pouco melhor a estrutura da obra, passemos a entender o seu projeto Ético-Político-Pedagógico.

 

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