Existencialismo e a condição feminina na sociedade patriarcal: análise do romance A Mulher Desiludida de Simone de Beauvoir

TEXTO APRESENTADO NO IV SINALGE - SIMPÓSIO NACIONAL DE LINGUAGENS E GÊNEROS TEXTUAIS, REALIZADO EM CAMPINA GRANDE-PB, EM ABRIL DE 2017.

por Alexsandro Melo Medeiros

lattes.cnpq.br/6947356140810110

Luana Pantoja Medeiros

http://lattes.cnpq.br/7355733518783146

Resumo

Simone de Beauvoir é uma filósofa existencialista consagrada na literatura feminista. Nesta comunicação tencionamos demonstrar como a autora revela traços da filosofia existencialista, caracterizado pela angústia das personagens vividas nos três contos que compõem o romance A Mulher Desiludida, bem como o papel feminino a partir da relação – característica da filosofia existencialista – entre determinismo versus liberdade – o pré-estabelecido versus escolhas próprias. Cada uma das personagens de A Mulher Desiludida expressa, a seu modo, seu descontentando com a vida, o que as faz infeliz e por isso questionam sua situação. O estado de espírito dominante em cada uma é o descontentamento, a angústia existencial, a perda da identidade de si mesma. Nesta comunicação, que utiliza como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, vamos nos deter principalmente nos dois últimos contos: um monólogo angustiado escrito em primeira pessoa onde Murielle, depois de dois casamentos fracassados e do suicídio da filha, rumina em solidão o seu ódio pelo mundo e por um Deus que talvez não exista (outra marca do existencialismo ateu). Todas as suas referências femininas foram destroçadas: é divorciada, vive conturbada relação com a mãe e perdeu a filha para o suicídio. O papel da mulher dado socialmente por uma sociedade patriarcal de mãe, esposa e filha são perdidos fazendo com que a narradora mergulhe em uma profunda solidão existencial. Já no terceiro conto temos uma típica dona de casa, Monique, cujo marido – o centro de sua vida –, tem um relacionamento extraconjugal. A traição serve como alavanca para suas inflexões sobre o mundo e perda do contorno de si mesma. Representando seu papel de esposa e dona de casa o seu casamento é o que lhe sustenta física, psicológica e sobre o qual ela funda sua identidade. O que explica porque a infidelidade de Maurice teve impactos tão profundos na vida de Monique. Sem Maurice, o que resta à Monique é um profundo sentimento de solidão, porque ela consagrou toda sua vida a seu amor. Quando Maurice anuncia que há uma outra mulher em sua vida tudo desaba para Monique, ela se sente vazia, perdida e experimenta a angústia da existência humana. Vemos assim como Simone de Beauvoir, embora seja mais conhecida por ter estudado a relação entre a mulher e a sociedade em sua obra O Segundo Sexo, também utiliza suas obras literárias para apresentar uma série de perspectivas teóricas para responder à questão “que é uma mulher” da qual a mais importante perspectiva é a filosofia existencialista. Se O Segundo Sexo representa a parte filosófica do pensamento de Simone onde ela introduz uma nuance importante na análise sartreana da liberdade e do papel do contexto social que conduz a papéis sociais distintos para o homem e para a mulher, suas obras literárias complementam a argumentação filosófica, usando o artifício da criação ficcional que serve de crítica a uma sociedade eminentemente patriarcal onde o papel da mulher é obedecer ao homem e viver à sua sombra.

Palavras-Chave: Literatura Existencialista, Feminismo, Liberdade, Angústia.

O trabalho completo está disponível nos anais do IV SINALGE (V. 1, 2017, ISSN 2527-0028):

Existencialismo e a condição feminina na sociedade patriarcal (texto completo)

 

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