Capitalismo Financeiro e o Movimento Occupy

Capitalismo Financeiro e o Movimento Occupy

            Occupy Wall Street foi (é) um movimento de protesto iniciado em setembro de 2011, no Zuccotti Park, no distrito financeiro de Manhattan, na cidade de Nova York, principalmente contra a desigualdade econômica e social. A estratégia do movimento é manter uma ocupação constante de Wall Street, o setor financeiro da cidade de Nova Iorque. Desde então uma onda de protestos semelhantes espalhou-se por diversas outras cidades nos Estados Unidos (Boston, Chicago, Los Angeles , Portland, São Francisco, entre outras). O “Movimento Occupy” também se estendeu para além das fronteiras americanas, tendo manifestações inclusive aqui no Brasil. O slogan, We are the 99% ("Nós somos os 99%"), refere-se à crescente desigualdade na distribuição de renda da riqueza nos Estados Unidos entre o 1% mais rico e o resto da população. “Embora sem uma plataforma clara, o slogan citado criou uma identidade aos adeptos – ser contra ou criticar o Capitalismo Financeiro, não as instituições propriamente ditas” (GOHN, 2014, p. 40 – grifo nosso).

            No site www.occupywallst.org/ o Occupy Wall Street  se descreve como um movimento de resistência

 

with people of many colors, genders and political persuasions. The one thing we all have in common is that We Are The 99% that will no longer tolerate the greed and corruption of the 1%. We are using the revolutionary Arab Spring tactic to achieve our ends and encourage the use of nonviolence to maximize the safety of all participants[1].

 

            As novas tecnologias de informação e comunicação (CiberDemocracia) desempenharam um papel importante neste movimento, como afirma Maria Glória Gohn: “Os participantes do Occupy foram convidados/convocados por redes de mídias sociais” (2014, p. 41). Entre os manifestantes estavam pessoas de vários segmentos da sociedade civil, desde moradores de ruas, hippies, sindicatos, jovens, artistas e intelectuais.

 

A ocupação do parque Zuccotti durou dois meses. Nesse período, os ativistas também realizaram atos públicos em outros lugares emblemáticos de Nova York, como na Time Square, o local de maior concentração de teatros da Broadway e de turistas na Washington Square, defronte à Universidade de Nova York [...] Ao chegar em cada endereço, os manifestantes gritavam frases como “Sem justiça, sem paz” e “Nós somos os 99% da população” (GOHN, 2014, p. 42).

 

            O Movimento Occupy, como dissemos, teve repercussões aqui no Brasil além de vários outros países. Na Alemanha, em Fankfurt, o movimento Occupy Frankfurt ficou acampado em frente ao Banco Central Europeu, localizado na principal praça de negócios bancários da Alemanha e de toda a Europa. O movimento Occupy Frankfurt durou dez meses. “Havia no acampamento ativistas de outros países [...] Demonstravam convicção no que faziam. Diziam: ‘sem questionar as injustiças, nada acontece’” (GOHN, 2014, p. 46).

            Aqui no Brasil o movimento repercutiu em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. No caso de São Paulo, o movimento “mobilizou cerca de 200 pessoas entre outubro e novembro de 2011, em uma área do vale do Anhangabaú, região central de São Paulo” (GOHN, 2014, p. 66). No site ocupasampa.milharal.org/nosso-manifesto/ o Ocupa Sampa se define como:

 

Somos muitos e diferentes [...] Os participantes dessa manifestação fizeram parte de tantas outras. São integrantes de Movimentos Sociais e organizações sociais, estudantes, militantes. Temos como princípio a auto-organização e o auto-financiamento. Não aceitamos dinheiro de nenhuma empresa ou entidade que vise o lucro, seja ela qual for. O movimento tem autonomia diante do Estado, das empresas e de qualquer partido, mas respeita a participação destes. Venha participar! É hora de mostrar sua indignação com o sistema Capitalista. A união de tod@s @s indgnad@s mostrará que o povo quer transformações profundas na sociedade. Queremos construir uma Democracia direta e Participativa. Traga sua bandeira, sua vontade e sua voz![2]

 

            Diferente do Occupy Wall Street, o Ocupa Sampa tem uma vasta bandeira de luta e inclui reivindicações que incluem melhores investimentos públicos nas áreas da Saúde e Educação, o combate ao preconceito, violência contra a mulher, homofobia, até questões ambientais que envolvem a construção da usina de Belo Monte e o Código Florestal.

 

 

Referências Bibliográficas

 

GOHN, Maria da Glória. Sociologia dos Movimentos Sociais. 2. ed. São Paulo: Cortez Editora, 2014. (Questões da nossa época, 47).

OCUPA SAMPA. Disponível em: <www.occupywallst.org/>. Acessado em 05 de janeiro de 2015.

OCCUPY WALL STREET. Disponível em: <ocupasampa.milharal.org/nosso-manifesto/>. Acessado em 05 de janeiro de 2015.

 



[1] Disponível em: <www.occupywallst.org/>. Acessado em 05 de janeiro de 2015. Tradução: “com pessoas de muitas cores, gêneros e opiniões políticas. A única coisa que todos temos em comum é que nós somos os 99% que não vão mais tolerar a ganância e a corrupção de 1%. Estamos usando a tática revolucionária da Primavera Árabe para alcançar nossos fins e encorajar o uso da não violência para maximizar a segurança de todos os participantes”.

[2] Disponível em: <ocupasampa.milharal.org/nosso-manifesto/>. Acessado em 05 de janeiro de 2015.

 

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