Comentários sobre Política: Politicagem não é política. Política é bem comum!

por Osni Valfredo Wagner

postado em jun. 2017

 

Resumo

Este estudo consiste em alguns comentários sobre Política e tem objetivo de compreender a realidade do conceito a partir de uma revisão bibliográfica buscando interpretações que desvendem e desnaturalizem as ideologias. Por fim conclui que as elites brancas racistas propagam suas ideologias dominantes de interesses do capital.

 

Introdução

 

            O que se aborda como opinião, achismo e ou crença não é cientifico. O conhecimento científico implica a utilização de uma metodologia, com regras claras que permitirá fazer uma avaliação sobre a realidade.

            Em uma ocasião, na aula de Sociologia, vieram perguntas sobre votar em líderes messiânicos. Como sempre os que se dizem contra ideologias é que mais vem com ideologias prontas e acabadas como verdades e querem impor para o coletivo o que aprenderam reproduzindo discursos e retóricas que se dizem que é a opinião da maioria.

            Em outros casos chegasse à ideia de que se fazem julgamentos a partir dessas verdades que se reproduzem das mídias elitistas brancas racistas e propagam suas ideologias dominantes de interesses do capital.

           Tem-se ainda o caso do dualismo dos que são contra ou a favor do lulapetismo. Um dualismo que parece muito estreito se observamos que existem 35 partidos políticos.

            Outras perguntas surgem no debate: Quem seria o candidato e ou candidata que poderia ser melhor para o país? E se os (as) candidatos (as) que são honestos, não simpatizamos com as ideologias deles o que fazer então?

         De fato a realidade brasileira é bastante complexa já que dos trinta e cinco partidos políticos, temos vinte e oito envolvidos em corrupção. 18 partidos na lava jato do chamado lulapetismo e 28 partidos políticos envolvidos na empresa da carne fraca. Na realidade observamos que é a troca de favores e o enriquecimento ilícito que é um dos grandes motivos da existência de partidos políticos. Em sua grande maioria, como já frisei, vinte e oito partidos envolvidos em corrupção.

            Teoricamente só nos faltam sete partidos e certamente outros partidos surgirão, coisa que a mídia vinha dizendo que deveria diminuir os partidos políticos. No caso de todos partidos envolvidos em corrupção talvez nem devessem mais existir, ou pelo menos os filiados não deveriam aceitar como filiados às pessoas de ficha suja.

 

Política como bem comum!

 

            Essa análise nos remete a pensar a diferença do que é política e do que não é política. Norberto Bobbio (1909-2004) – um dos maiores cientistas políticos do século XX –, em sua extensa obra, deixou uma importante contribuição à Ciência Política: seu livro Teoria Geral da Política: a filosofia política e as lições dos Clássicos. Vejamos o que ele afirma:

 

I. O SIGNIFICADO CLÁSSICO E MODERNO DE POLÍTICA. — Derivado do adjetivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social, o termo Política se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política, que deve ser considerada como o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo, com a significação mais comum de arte ou ciência do Governo, isto é, de reflexão, não importa se com intenções meramente descritivas ou também normativas, dois aspectos dificilmente discrimináveis, sobre as coisas da cidade. Ocorreu assim desde a origem uma transposição de significado, do conjunto das coisas qualificadas de um certo modo pelo adjetivo "político", para a forma de saber mais ou menos organizado sobre esse mesmo conjunto de coisas: uma transposição não diversa daquela que deu origem a termos como física, estética, ética e, por último, cibernética. O termo Política foi usado durante séculos para designar principalmente obras dedicadas ao estudo daquela esfera de atividades humanas que se refere de algum modo às coisas do Estado: Política methodice digesta, só para apresentar um exemplo célebre, é o título da obra com que Johannes Althusius (1603) expôs uma das teorias da consociatio publica (o Estado no sentido moderno da palavra), abrangente em seu seio várias formas de consociationes menores. Na época moderna, o termo perdeu seu significado original, substituído pouco a pouco por outras expressões como "ciência do Estado", "doutrina do Estado", "ciência política", "filosofia política", etc, passando a ser comumente usado para indicar a atividade ou conjunto de atividades que, de alguma maneira, têm como termo de referência a pólis, ou seja, o Estado. Dessa atividade a pólis é, por vezes, o sujeito, quando referidos à esfera da Política atos como o ordenar ou proibir alguma coisa com efeitos vinculadores para todos os membros de um determinado grupo social, o exercício de um domínio exclusivo sobre um determinado território, o legislar através de normas válidas erga omnes, o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outros, etc; outras vezes ela é objeto, quando são referidas à esfera da Política ações como a conquista, a manutenção, a defesa, a ampliação, o robustecimento, a derrubada, a destruição do poder estatal, etc Prova disso é que obras que continuam a tradição do tratado aristotélico se intitulam no século XIX Filosofia do direito (Hegel, 1821), Sistema da ciência do listado (Lorenz von Stein, 1852-1856), Elementos de ciência política (Mosca, 1896), Doutrina geral do Estado (Georg Jellinek, 1900). Conserva parcialmente a significação tradicional a pequena obra de Croce, Elementos de política (1925), onde Política mantém o significado de reflexão sobre a atividade política, equivalendo, por isso, a "elementos de filosofia política". Uma prova mais recente é a que se pode deduzir do uso enraizado nas línguas mais difundidas de chamar história das doutrinas ou das idéias políticas ou, mais genericamente, história do pensamento político à história que, se houvesse permanecido invariável o significado transmitido pelos clássicos, teria de se chamar história da Política, por analogia com outras expressões, como história da física, ou da estética, ou da ética: uso também aceito por Croce que, na pequena obra citada, intitula Para a história da filosofia da política o capítulo dedicado a um breve excursus histórico pelas políticas modernas. (BOBBIO, 1998 p. 954).

 

            Primeiramente a palavra política tem a ver com ‘bem comum’; o que a maioria das vezes se refere a políticos, como se fossem referindo-os a corruptos. Temos que dar nomes corretos para os corruptos, são ladrões! Chamar de político um ladrão é dar elogio a quem não merece, esses ladrões corruptos fazem politicagem, politiquice e não política.

                       

Liberal

 

           O pensamento liberal do século XVIII, analisado pelo Professor Alexsandro Medeiros da Universidade Federal do Amazonas, Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia, Campus de Parintins.

 

O liberalismo moderno manteve, contudo, as principais características do “liberalismo clássico”, como a defesa da individualidade, da liberdade e a ideia de uma administração econômica com ênfase no mercado, mas aceitando a participação do Estado da administração da economia. John Stuart Mill foi um dos autores que mais contribuiu na defesa da liberdade e da individualidade. Ele concebia a liberdade como uma força construtiva e positiva que confere aos indivíduos a capacidade de assumir o controle da própria vida, de adquirir autonomia ou alcançar a realização pessoal [...] ele acreditava apaixonadamente na individualidade. A liberdade é valiosa, pois permite aos indivíduos desenvolver e adquirir talentos, habilidades e conhecimento (HEYWOOD, 2010, p. 65). Contudo, os problemas e conflitos existentes na sociedade oriundos do Capitalismo industrial fizeram os liberais repensar sua forma de justificar as relações sociais e, embora compartilhassem da crença clássica na ideia de um indivíduo autossuficiente que assume a responsabilidade pela própria vida, começaram a se voltar cada vez mais para a coletividade tendo que reconhecer e admitir que as condições de realização individual só podem ocorrer se as condições sociais de vida o permitirem. Foi o que deu origem ao chamado “liberalismo social” entre os modernos. Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento dessa nova forma de liberalismo foi o crescimento da intervenção estatal na maioria dos países ocidentais, no século XX, como uma tentativa de superar a pobreza e as desigualdades sociais, fazendo com que os liberais modernos passassem a defender o modelo de “Estado de bem estar social”, um Estado que intervém nas relações sociais para oferecer uma série de serviços, como seguridade social, saúde, educação, entre outros, assumindo uma certa responsabilidade pelo bem estar social de seus cidadãos. (MEDEIROS, 2017).

 

            Destaca-se que as ideias dominantes são aceitas como opiniões próprias mas na realidade não se sabem mais o que de fato é útil, necessário e bom para si e o que a grande mídia diz é reproduzido como verdade. Andrea Faggion é doutora em Filosofia pela Unicamp e professora de Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL):

 

É aqui que a tradição liberal surge como uma tradição filosófica avessa a esse tipo de empreitada político-pedagógica arrogante, ou seja, avessa a utopias, idealizações e grandes racionalizações. O papel da razão é mais modesto dentro da tradição liberal. É apenas o papel humano de esclarecer e corrigir o senso comum. Em questões práticas, a razão liberal não opõe ao senso comum suas verdades metafísicas. Por isso, o liberal não se vê como o profeta ou o messias que vai guiar o povo das trevas para a verdade. Na verdade, como ele só pode procurar excluir de seus juízos de valor às contaminações pessoais e metafísicas, sem saber se obteve sucesso nisso, ele nunca pode estar certo de seu juízo. Sua epistemologia insiste na falibilidade do juízo humano, na necessidade de confrontar seu juízo com o de outros seres humanos e em um ceticismo salutar quanto aos poderes de nossa razão. (FAGGION, 2017).

 

            A análise de Faggion em síntese sobre a tradição liberal: arrogância de senso comum impraticável e imprecisa, um tipo epistemológico falibilidade e ceticismo humano sobre a vida e a realidade.

 

Crítica

 

            Em oposição ao liberalismo tem-se o pensamento crítico de Karl Marx. Abaixo um artigo da Assistente social graduado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Recife/PE - Brasil; mestre em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE; membro do GET - Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho, coordenado pela Profa. Dra. Ana Elizabete Mota.

 

O Estado é uma esfera a favor das classes dominantes desde seus primórdios, nas sociedades escravistas da Antiguidade. Surgiu para proteger os interesses da classe dominante e controlar as revoltas dos escravos. Inicialmente, havia apenas alguns traços essenciais do Estado moderno, como a presença de um corpo policial-militar, de uma burocracia hierárquica, cobradores de impostos, escribas e mensageiros, em suma, um corpo de funcionários públicos. Posteriormente, novas configurações vão se aglutinando a esses traços essenciais. Esses contornos do Estado pré-burguês desautorizam as idealizações dos contratualistas, que viam o Estado como esfera positiva da sociabilidade. O Estado burguês incorpora essas características. Do mesmo modo, características inéditas ganham espaço - a incorporação de interesses organizados pela força de trabalho, por exemplo. Assim, em Marx, o Estado não inaugura a sociedade civil. Antes, se ergue a partir dela no interesse de determinada classe social. A recuperação histórica do surgimento do Estado permite que Marx demonstre a vinculação orgânica entre Estado e capital. A emancipação política garantida pela Revolução de 1789 não assegura o próximo passo no avanço da emancipação da humanidade. Para dar esse passo seria necessário extinguir o Estado como esfera alienada das relações sociais, extinguir o capital como força centrífuga que domina as relações humanas. (SOUZA, 2010).

 

            A sociedade só poderá se tornara revolucionária se for permanente os avanços revolucionário e infelizmente o que observamos são retrocessos na legislação brasileira no que tange aos direitos trabalhistas. A impressão que se tem é que as elites financiadoras dos nossos parlamentares, governantes e o judiciário estão fazendo os interesses das elites financiadoras e neste sentido temos um Estado elitista.

 

Considerações

 

            As elites brancas racistas propagam suas ideologias dominantes de interesses do capital nacional e internacional. Por outro lado temos ideologias em que defendem os Direitos Humanos e fundamentos de liberdade, igualdade e fraternidade.

 

DEFINIÇÃO DE ELITE. — Por teoria das Elites ou elitista — de onde também o nome de elitismo — se entende a teoria segundo a qual, em toda a sociedade, existe, sempre e apenas, uma minoria que, por várias formas, é detentora do poder, em contraposição a uma maioria que dele está privada. Uma vez que, entre todas as formas de poder (entre aquelas que, socialmente ou estrategicamente, são mais importantes estão o poder econômico, o poder ideológico e o poder político), a teoria das Elites nasceu e se desenvolveu por uma especial relação com o estudo das Elites políticas, ela pode ser redefinida como a teoria segundo a qual, em cada sociedade, o poder político pertence sempre a um restrito círculo de pessoas: o poder de tomar e de impor decisões válidas para todos os membros do grupo, mesmo que tenha de recorrer à força, em última instância. A formulação, hoje tornada clássica, desta teoria foi dada por Gaetano Mosca nos Elementi di scienza política (1896): "Entre as tendências e os fatos constantes que se acham em todos os organismos políticos, um existe cuja evidência pode ser a todos facilmente manifesta: em todas as sociedades, a começar por aquelas mais mediocremente desenvolvidas e que são apenas chegadas aos primórdios da civilização, até as mais cultas e fortes, existem duas classes de pessoas: a dos governantes e a dos governados. A primeira, que é sempre a menos numerosa, cumpre todas as funções públicas, monopoliza o poder e goza as vantagens que a ela estão anexas; enquanto que a segunda, mais numerosa, é dirigida e regulada pela primeira, de modo mais ou menos legal ou de modo mais ou menos arbitrário e violento, fornecendo a ela, ao menos aparentemente, os meios materiais de subsistência e os que são necessários à vitalidade do organismo político'' (I, p. 78). A fortuna do termo Elite, porém, remonta a Pareto, que alguns anos depois, por influência de Mosca, enunciou, na introdução aos Systèmes socialistes (1902), a tese segundo a qual em toda a sociedade há uma classe "superior" que detém geralmente o poder político e o poder  econômico, à qual se deu o nome de "aristocracia" ou Elite. (BOBBIO, 1998, p. 395).

 

            A teoria das elites revela, conforme o tipo de sociedade, que se tem uma elite mesmo que burocrática no termo de aristocratas e ou elites econômicas. De onde resulta o desafio de se construir sociedades em que se valorizem os interesses da maioria e não apenas da minoria que conceitualmente se refere a elite de alguma forma prática e ou teórica.    

 

Bibliografias

BOBBIO, Norberto. Dicionário de política I Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998. <https://mpassosbr.files.wordpress.com/2013/03/dicionario_de_politica.pdf> Acessado em junho de 2017.

FAGGION, Andrea, O que significa ser um liberal? Estado da Arte, 18 Abril 2017. <http://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/o-que-significa-ser-um-liberal/> Acesso em junho de 2017.

MEDEIROS, Alexsandro, Liberalismo, Consciência Política,  2017 <http://www.portalconscienciapolitica.com.br/economia-politica/liberalismo/>  acessado em junho de 2017.

SOUZA, Jamerson Murillo Anunciação de. Estado e sociedade civil no pensamento de Marx State and civil society in Marx's thinking,  Serviço Social & Sociedade Print version ISSN 0101-6628 Serv. Soc. Soc.  no.101 São Paulo Jan./Mar. 2010. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282010000100003

 

 

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Sobre o autor

Osni Valfredo Wagner: Professor de Sociologia do Ensino Médio da Escola de Educação Básica Hercílio Deeke na cidade de Blumenau – SC. Fez disciplinas do Curso de Doutorado em Direito na UBA – Argentina; Mestre em Desenvolvimento Regional- FURB, Especialista em Gestão de Programas de Reforma Agrária e Assentamento – UFLA – MG; Bacharel, e Graduação em Ciências Sociais e Licenciatura em Sociologia e Geografia Humana – FURB. E-mail: osniwgner@gmail.com