Como a maturidade psíquica influencia as relações e a vida em sociedade na perspectiva espiritualista de Pietro Ubaldi

por Alexsandro M. Medeiros

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postado em mar. 2017

 

 

            Este texto toma como base as ideias do pensador italiano Pietro Ubaldi, que está contido em uma série de 24 volumes, das quais A Grande Síntese, Deus e Universo, O Sistema e Queda e Salvação oferecem um sistema científico-filosófico-teológico que toma como princípio fundante a existência de Deus, do espírito, e a ideia de que este mesmo espírito evolui através de vidas sucessivas (reencarnação) cujo principal propósito é aperfeiçoar-se sempre mais e melhor, seja do ponto de vista gnosiológico, seja do ponto de vista moral e espiritual. Utilizando o conceito de A Grande Equação da Substância, Ubaldi (1997, p. 19-20) explica como a divindade criou o espírito, a energia e a matéria e ao longo desta obra estuda em pormenores a fase matéria (1997, p. 20-30), a desagregação da matéria em energia (1997, p. 30-32; p. 65-70) as origens do psiquismo e do espírito (1997, p. 89-92) e como tudo isso se entrelaça em uma teia dinâmica evolutiva. A evolução é um princípio fundamental da Lei e o ser está continuamente em marcha desde a fase matéria até o espírito.

            Com base nestes princípios Ubaldi constrói uma rica teoria da psyché humana, levando em consideração o princípio espiritual e a teoria reencarnacionista que explica os aspectos da personalidade humana e do biótipo terrestre e como essa mentalidade interfere na dinâmica social e moral.

            Ao analisar a mentalidade psíquica humana Ubaldi destaca pelos menos quatro níveis diferentes de “forma mental” e amadurecimento evolutivo característico dos seres humanos: o 1º grau da forma mental elementar do “animal” e res­pectiva ética de obediência mecânica aos impulsos primitivos; o 2º grau da forma mental do “selvagem” e respectiva ética da força e do princípio da luta; o 3º grau da forma mental do “involuído” e respectiva ética de obediências às leis, mas de forma superficial, porque constrangido pela força, e alimentada pelo desejo de transgressão da lei para satisfação dos desejos que difere do 2º grau pelo tipo de violência que não é mais física, “mas econômica, nervosa, psicológica, e a desobediência está disfar­çada sob as aparências da obediência” (1988b, p. 37); e o 4º grau da forma mental e respectiva ética “do evoluí­do que abandonou todos esses métodos de luta, porque chegou a entender a Lei de Deus e a esta espontaneamente obedece” (1988b, p. 37). “Eis os biótipos que encontramos em nosso mundo atual, cada um com a sua forma mental e ética respectiva” (1988b, p. 37) (ver mais em: Princípios de uma nova ética, do mesmo autor).

            A mentalidade psíquica do primeiro nível determina um modo de ação social e moral instintiva semelhante aos animais “aos quais ele obedece cega e mecani­camente, não entendendo o porquê do que ele faz, não se orientan­do por autonomia de juízo, mas imitando, isto é, repetindo o que fazem os outros, porque para ele o que faz a maioria representa a verdade” (1988b, p. 44). Funciona por imitação e repetição do que fazem os outros e aceitando a solução dos outros. É o método do “rebanho de ovelhas”, fazendo o que as outras fazem, sem necessariamente saber porque o faz e age de tal forma. A ignorância é o estado normal deste biótipo que não tem problemas morais ou intelectuais. Age de acordo com seus instintos básicos: da fome, do amor, do esforço necessário para satisfazer tais necessidades. As necessidades imediatas são os problemas mais elementares e urgentes que ele lhe impõe, para a continuação da vida. É a escola primária “na qual se aprende sem entender, repetindo por sugestão, imitando um mode­lo, até que pela longa repetição mecanicamente se adquirem hábi­tos, que assim se fixam no subconsciente como novas qualidades” (1988b, p. 44).

            Entre o invoulído e o evoluído temos ainda o que podemos chamar de mentalidade psíquica do nível médio que é algo mais complexa e racional. Além dos instintos, ele age através do intelecto, o que implica pensar, refletir, analisar, e não apenas imitar. Aceita as normas da ética e da sociedade com relativa autonomia de juízo. A inteligência controla os instintos e emoções e dirige os impulsos cegos do subconsciente, não se deixando levar mecanicamente por eles. Entende os processos lógicos e exige provas e demonstrações para ser levado à compreensão e convicção e não aceita algo como verdade simplesmente porque lhe disseram que é assim ou tem que ser assim. E mesmo que ainda não saiba o porquê, sua ação não é cega ou fruto do subconsciente, mas obedece a regras que são ditadas porque estabelece uma disciplina e uma ordem, ainda que exterior e formal. “Então esse biótipo possui outros recursos mais adiantados: para a norma de conduta certa, ele tem um guia representado pelas soluções oferecidas pelas éticas teoricamente aceitas, que representam uma sabedoria descida dos pla­nos superiores” (1988b, p. 44). Os problemas que se impõe vão além das necessidades da vida animal da fome e do amor: ele quer conhecer, que entender as normas de vida social, quer sair do seu estado de ignorância, descobrir novos caminhos para o progresso da humanidade. É uma escola um pouco mais adiantada, que não se contenta com os métodos de aprendizagem anteriores: “cogita de com­preender e julgar com a inteligência, que é a qualidade que agora se vai desenvolvendo” (1988b, p. 45).

            Enfim o nível superior, onde aparecem novas qualidades. Além do controle racional dos instintos e do subconsciente surge a intuição, que permite perceber a verdade por visão imediata. Enquanto a razão vai por um caminho mais longo, a intuição atinge diretamente o conhecimento e o conteúdo do pensamento que constitui a Lei que tudo rege. Sua ação não é mais atividade baseada nos instintos do subconsciente animal, nem as normas éticas exteriores e formais da razão. A sua disciplina é iluminada pelo conhecimento da Lei divina que alcançou por intuição, por visão imediata, por haver entendido a ordem estabelecida pela Lei. Esse biótipo vibra pela sua sensibilidade, reflete e pensa com sua mente racional, e ilumina o seu conhecimento através da intuição. É o nível superior de conhecimento, depois de ter passado pela escola primária e pelo ginásio, chegando enfim à faculdade. E assim como o aluno não fica estacionário na escola primária, o espírito vai se movendo de um nível a outro, de acordo com os esforços que faz para progredir e amadurecer, mudando com isso a sua personalidade, suas qualidades e o seu modo de agir.

 

            Uma imagem que consta na obra Ascese Mística nos ajuda a resumir boa parte do que temos exposto até aqui. Representando ciclos sucessivos de consciência em processo de expansão, desde os primórdios da evolução, até os altos planos divinos.

 

(UBALDI, 1988a, p. 26).

 

            Uma imagem mais detalhada foi elaborada por Gilson Freire em uma palestra intitulada “Rumo a superconsciência”.

https://www.youtube.com/watch?v=ZWZt6QLFvU8

 

 

            A figura “planos evolutivos da consciência” é explicada da seguinte forma por Gilson Freire: no nível mais baixo temos a inconsciência (insensibilidade e determinismo; matéria), surge posteriormente a consciência sensória (sensibilidade e instinto; vida), depois a consciência racional-analítica (despertar da razão e da inteligência) que se expande cada vez mais até a consciência intuitivo-sintética (síntese e verdade) e por fim a consciência místico-unitária e crístico-unitária: amor e percepção do pensamento divino; amor e perfeita união com Deus.

            Segundo Ubaldi, a evolução do espírito determina na realidade uma infinidade de formas de mentalidade psíquica diferentes. Os três ou quatro tipos analisados até aqui são apenas uma forma mais didática de pensar a evolução humana, para facilitar a redação deste texto, das quais vamos destacar pelo menos duas considerando de modo mais direto a estrutura psíquica dos seres humanos: uma psicologia egocêntrica individualista que se baseia na desconfiança e na luta; e outra psicologia altruísta orgânica, que se baseia na colaboração. Tomando estes princípios vamos dividir este texto em quatro partes: a primeira dedicada ao estudo da mentalidade dos involuídos, a segunda dos evoluídos, uma terceira que analisa simultaneamente os dois tipos de mentalidade e, finalmente, como essa mentalidade se reflete na vida em sociedade.

 

A mentalidade psíquica do involuído

 

            A forma mental do involuído, sua psicologia, é a forma mental de um rebelde egocêntrico e agir em colaboração com os outros é sinal de fraqueza e derrota. A psicologia explica o modo de ação do involuído ao aclarar a ideia de impulsos subconscientes instintivos. O princípio fundamental de nível biológico do involuído é a luta pela vida, a seleção do mais forte, o individualismo. Na psicologia do involuído a inteligência consiste em enganar o próximo, burlar a lei, aproveitar-se da situação no interesse próprio. Em alguns casos tal atitude é fruto de pura perversão, em outros apenas de ignorância. “Não se pode acusar tal biótipo de insinceridade, quando ele, das coisas de espírito, apenas lhes pode entender a forma exterior, e quando ele a pratica com toda a exatidão, obedecendo a todas as regras mecânicas estabelecidas” (1988b, p. 35). É o mesmo que exigir aos surdos, principalmente daqueles que o são porque não desenvolveram o sentido da audição, que entendam os sons que lhes são proferidos, ou aos cegos que saibam distinguir os feixes de luz que lhes são direcionados. Os valores do involuído estão nos antípodas do evoluído. Para o evoluído, como veremos adiante, o valor está na obediência à ordem e à Lei.

            O método de vida do involuído, o que ele entende e pratica, é a ação através da força, da astúcia, que devem se transformar em justiça e honestidade. Para que o involuído amadureça é necessário que ele alcance novos níveis de consciência espiritual. O ponto de partida do involuído é a força. Seu ponto de chegada é a justiça. O processo evolutivo consiste em substituir o elemento da força, pelo princípio da justiça.

 

Eis como as qualidades do involuído podem continuar funcio­nando, mas cada vez mais dentro dos limites da nova ordem que se vai realizando, isto é, não mais força para fazer guerra, agredindo e destruindo, mas força empregada para o cumprimento da Lei, não para esmagar o fraco, mas para o triunfo da justiça (1988b, p. 29).

 

A mentalidade psíquica do evoluído

 

            O nível dos evoluídos é orientado por uma psicologia na qual quanto mais se evolui, mais se aprende que existe um Deus imanente em nosso universo e que através dessa imanência existimos mergulhados e fundidos nEle, que tudo sustenta e tudo anima. “Trata-se de um Deus do qual ninguém pode sair, ao qual nada se pode esconder, um Deus vivo, ao nosso lado a toda hora, com a Sua inteligência e atividade” (1988b, p. 13). Por isso não há mais lógica no egocentrismo. A rebeldia é uma atitude ingênua e infantil. Tornamo-nos conscientes dos princípios que regem o funcionamento orgânico do universo, compreendemos a lógica do plano divino que tudo dirige e só há um caminho a seguir. “Profundamente convencido disto, ele julga loucura o espírito de revolta do homem atual, e espontaneamente se coloca na ordem pa­ra obedecer à sabedoria da Lei” (1988b, p. 13). Neste nível domina o princípio da justiça, da ordem, do equilíbrio, de reciprocidade de direitos e deveres, da obediência à Lei divina e da colaboração. Obediência que não é adesão cega a uma ordem que não se compreende. Quanto mais o espírito evolui, mais compreende, e sente, que há mais vantagem em obedecer do que desobedecer a Lei divina: fundir a sua vontade com a vontade soberana de Deus, em um impulso inimaginável de amor, sabedoria e paz. Deus só quer o bem de seus filhos e, por isso, não há maior desejo ou satisfação do que fazer a vontade do Pai, porque a vontade do Pai é aquela que o filho mais deseja, ou seja, a sua felicidade.

            Nesse nível o princípio de luta egoísta é substituído pelo princípio da compreensão e colaboração e a intuição representa a uma nova forma de lidar com o conhecimento. A ciência oficial se deteve na análise da forma orgânica evolutiva da vida e não foi mais além. É através da evolução do sistema nervoso que este é estimulado “para uma sensibilidade cada vez mais delicada, que constitui o prelúdio dessa intuição. Assim se manifestará e aparecerá em vós essa psique mais profunda, por lei natu­ral de evolução, por fatal maturação que está pró­xima” (UBALDI, 1997, p. 12).

 

Rumo à evolução

 

            Como ressaltamos até aqui, existem tipos de personalidades diferentes correspondentes ao grau de entendimento e maturidade de consciência, conquistado por evolução, através das variadas experiências realizadas nas vidas sucessivas, das quais estamos analisando dois tipos, por assim dizer, os extremos: os involuídos e o evoluído.

 

A diferença entre os dois níveis é esta: que nos planos inferiores prevalece o antagonismo que divide os seres entre si e contra Deus, de modo que a obediência é uma opressão antivital, enquanto nos planos superiores tudo isto desaparece numa unidade que funde os seres entre si e com Deus, numa só vontade dirigida para a mesma finalidade de bem, o que transforma a obe­diência em elemento vital (1988b, p. 15).

 

            O grande trabalho que as leis da vida têm para realizar no momento presente é fazer ascender o atual biótipo dominante, o involuído, para formas de vida mais adiantadas, com o objetivo de que ele possa entender e praticar a ética do evoluído.

 

O evoluído não julga que o involuído seja culpado ou mau, mas considera-o um menino a educar, ao qual é útil mostrar, para que ele o saiba, o que melhor lhe convém fazer para seu bem. Cabe aos mais adiantados o dever de ajudar os menos adiantados, não os con­denando, mas indo ao seu encontro com a devida compreensão (1988b, p. 28).

 

            Ubaldi nos oferece um exemplo tirado dos Evangelhos:

 

O contraste entre essas diferentes posições biológicas nos apa­rece evidente neste exemplo: quando Cristo foi preso no Getsêma­ne, Simão Pedro puxou da espada e, dando um golpe no servo do sumo sacerdote, decepou-lhe uma orelha. Então, Jesus lhe disse: "Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, mor­rerão pela espada. Então, tendo tocado a orelha, a sarou".

Vemos aqui chocarem-se dois sistemas [...] Simão Pedro pretendia usar a força para uma finalidade benéfica, defendendo um justo.  Mas Cristo preferiu praticar um método superior, o do evoluído, o da não-re­sistência e do perdão, para dar este exemplo e ensinar esta lição, avisando ao mesmo tempo do perigo que espera quem desce ao ní­vel do involuído e pratica os seus métodos — o perigo de ter depois de ficar sujeito ao domínio das reações e leis ferozes daquele plano (1988b, p. 31).

 

            Se existe um tipo de personalidade humana que age obedecendo apenas aos impulsos primitivos, de maneira inconsciente e até descontrolada e, por isso, se torna mecanicamente arrastado pelas forças da Lei, há, porém, um tipo de personalidade mais evoluída que tem consciência de uma vida muito mais vasta e que conhece, em maior ou menor grau, o duplo problema da personalidade e do destino, “isto é, sabe quem ele é e qual é o objetivo particular que ele deve atingir na sua atual vida física, em função dos objetivos maiores de toda a sua evolução” (1988b, p. 41).

            Em nosso mundo estão misturados os biótipos terrestres do nível do involuído e do evoluído e a personalidade humana pode oscilar entre cada um dos dois. Cada indivíduo representa uma personalidade diferente, de acordo com o nível em que se encontra, ao mesmo tempo em que em cada indivíduo estes biótipos coexistem simultaneamente. Não são apenas tipos de personalidade diferentes (de indivíduo para indivíduo), mas também diferentes personalidades, por assim dizer, em uma só. E o mundo está suspenso entre dois mundos:

 

um debaixo e um acima dele, do primeiro re­cebendo impulsos inferiores, do segundo, impulsos superiores, im­pulsos opostos em luta, que, porém, representam o trabalho criador do amadurecimento evolutivo. Assim, quando em nós surge um impulso, pela sua natureza podemos entender de que nível evolutivo ele chega. As chamadas tentações de pecado, para fazer o mal, perten­cem ao nível inferior, enquanto as boas inspirações de fazer o bem pertencem ao superior. Mas em cada um surgirão com mais poder os impulsos do seu plano biológico e estes vencerão. Assim, com a sua conduta cada um revelará a que plano pertence, quem é e qual é o seu grau de evolução. É claro que, tratando-se de indivíduos em transformação, destinados mais cedo ou mais tarde a mudar de um andar para outro, encontramos em nosso mundo impulsos e condutas de todo o gênero (1988b, p. 58).

 

            Ocorre, assim, que um indivíduo possa estar em uma fase de transição, de um nível para outro, no qual se mesclam impulsos de níveis diferentes (instintos, inteligência, intuição). Por se tratar de um fenômeno de evolução, representa um contínuo transformismo, e é bem provável que um indivíduo oscile de um nível para outro. É assim que nasce a luta entre o novo e o velho. E assim acontece que um indivíduo não ocupe somente um nível de evolução. Há casos em que os impulsos instintivos dominam e o ser permanece no nível inferior. Mas há outros, em que a inteligência começa a predominar, ora em favor dos instintos (e o ser continua no nível inferior) ora em favor das aspirações do espírito (e o ser se eleva ao nível superior). E há ainda casos em que o espírito vence a matéria, a animalidade, e supera definitivamente os instintos inferiores.

            O maior e mais penoso trabalho que deve ser realizado por cada indivíduo é subir de um nível psicológico para outro, transformando a sua personalidade e afastando-se da dor e do sofrimento.

 

 

Mentalidade psíquica e relações sociais

 

            Pelo que expusemos até aqui, parece claro como cada tipo de mentalidade psíquica influencia de alguma forma a vida em sociedade.

            No nível mais baixo aqueles que se encontram no nível de maturidade da forma mental “animal” e “selvagem” baseiam suas relações a partir de seus impulsos primitivos e tomam como princípio de suas ações a força e a luta. O seu modo de ação social e moral é o de uma obediência cega e mecâni­ca, apenas repetindo o que fazem os outros, porque para ele o que faz a maioria representa a verdade, quando não é levado a contrariar as regras em função de seus instintos inferiores. A ignorância é o estado normal deste tipo que não apresenta dilemas morais ou intelectuais, agindo mais de acordo com seus instintos básicos e a satisfação de suas necessidades como a fome, a procriação, seus impulsos e desejos. As necessidades imediatas são os problemas mais elementares e urgentes que a vida lhe impõe. Ao tomar como princípio fundamental a luta pela vida, a seleção do mais forte e o individualismo, as consequências para a vida em sociedade são funestas: burlar a lei e aproveitar-se da situação no interesse próprio é o principal móvel de suas ações.

            Entre um nível e outro temos a mentalidade psíquica do nível médio que, além de agir através dos instintos, age também através do intelecto, o que implica pensar, refletir, analisar. Não age apenas por imitação ou porque disseram que é assim e se aceita as normas da ética e da sociedade o faz com relativa autonomia de juízo. O nível em que se encontra já o permite ter um relativo controle sobre os instintos e emoções através da inteligência não se deixando levar mecanicamente por eles embora, nem sempre, consiga controlar tais impulsos. É um biótipo que possui alguns recursos mais adiantados e outras necessidades a satisfazer e age em função dessas necessidades: ele quer conhecer, que entender as normas de vida social, quer sair do seu estado de ignorância, descobrir novos caminhos para o progresso da humanidade.

            No nível mais alto abandona-se o método da luta e as ações se baseiam em uma adesão espontânea à Lei de Deus e na colaboração. O seu modo de agir, seja para com o próximo, seja dentro das relações sociais, é iluminado pelo conhecimento da Lei divina que alcançou por intuição. O espírito então abandona todo tipo de egocentrismo e chega mesmo a anular-se diante de diferentes situações que a vida lhe impõe em função de uma causa maior e em razão de um sentimento maior: o amor que nutre por seus irmãos e o amor que experimenta no mais íntimo do seu ser que o faz ter a certeza da existência de uma força soberana e suprema, em torno da qual e pela qual vale a pena sacrificar toda sua existência material.

           O egoísmo é princípio desagregador e, por isso, não pode constituir fundamento da sociedade. Por isso Ubaldi (1982, p. 79) afirma a necessidade de um novo homem que possa pensar e agir coletivamente, organicamente, animado por valores diferentes do que do domínio da força, do egoísmo e da astúcia. O livro A Nova Civilização do Terceiro Milênio dedica um capítulo inteiro ao que Ubaldi (1982, p. 79-93) chama de A Lei da Honestidade e do Mérito, que são os valores que servem de guia ao evoluído.

 

 

Referências Bibliográficas

 

FREIRE, Gilson. Rumo a superconsciência. Palestra apresentada no XX Congresso Pietro Ubaldi [disponível no youtube]. IBBIS, Instituto Brasileiro de Benemerência e Integração do Ser, 21 a 23 de agosto de 2015.

UBALDI, Pietro. A Grande Síntese – síntese e solução dos problemas da ciência e do espírito. 18. ed. Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1997. (Obras completas de Pietro Ubaldi, v. 2).

____. A Nova Civilização do Terceiro Milênio. Tradução de Oscar Paes Leme. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1982. (versão pdf)

UBALDI, Pietro. A Nova Civilização do Terceiro Milênio. Tradução de Oscar Paes Leme. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1982. (versão pdf)

Leia mais: http://www.portalconscienciapolitica.com.br/products/principios-de-uma-nova-etica-resenha/

 

____. Ascese Mística. 3. ed. vol. 20. Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1988. (Obras completas de Pietro Ubaldi, v. 4).

____. Princípios de uma nova ética. 3. ed. vol. 20. Rio de Janeiro: Fundação Pietro Ubaldi, 1988. 24 vol.

 

 

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Nota

Nas citações de Pietro Ubaldi utilizamos a sigla das obras para fazer referência as mesmas. Além disso, as citações do texto foram retiradas das versões em pdf das obras de Pietro Ubaldi e, por isso, pode haver divergências entre a numeração da página das versões impressas