Hatha Yoga

 

por Alexsandro M. Medeiros

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postado em mar. 2016

            O termo Hatha é composto pelas sílabas sânscritas e Tha que significam respectivamente Sol e Lua, simbolizando equilíbrio entre dois pólos (FEUERSTEIN, 2006). O Sol simboliza “o princípio positivo, ativo, masculino da Criação [...] E por Lua o princípio negativo, passivo, feminino. Hatha é assim a união consciente dos princípios que constituem a dualidade básica do homem: espírito-matéria” (TEOTIA; TEOTIA, 2000, p. 28).

            Hatha-Yoga é o ramo do Yoga direcionado para o domínio e controle do corpo físico. “Atualmente, o Hatha Yoga é o ramo mais praticado  no mundo por pessoas que o procuram pelos benefícios físicos, mas desconhecem seu objetivo tradicional: a autorrealização” (LIMA, 2010, p. 37).

O Hatha-Yoga é uma vertente do Yoga que busca desenvolver o potencial do corpo estabelecendo sua integração com a mente, atenuando, desta forma, problemas físicos e emocionais. Trata-se da ramificação do Yoga mais difundida no Ocidente, cujo sistema é composto por posturas corporais, controle da respiração, inibição sensorial, concentração e meditação, além de diversas técnicas de limpeza orgânica (BERNARDI, et. al., 2013, p. 3622).

            Por esse motivo vários estudos têm sido realizados sobre a influência da prática do yoga no bem-estar e na saúde como é o caso dos estudos realizados por Buettner et. al. (2006), Culos-Reed et. al. (2006), Moadel et. al. (2007) e o estudo sobre a influência da Hatha Yoga nos níveis de estresse e ansiedade em mulheres mastectomizadas (BERNARDI, et. al., 2013). Mulheres que se submetem ao tratamento de câncer de mama podem sofrer algum tipo de comprometimento em sua imagem corporal e, por conseguinte, em suas emoções, pensamentos e autoimagem, uma vez que o tratamento pode ser bem agressivo e até mesmo mutilante, já que a remoção da massa tumoral é um procedimento provável para a maioria das mulheres com este tipo de câncer. O resultado pode ser um nível de abatimento e tensão emocional que pode acarretar altos níveis de estresse, determinado pela maior ou menor capacidade da mulher adaptar-se física, mental e emocionalmente a sua nova condição: “[...] o estado de tensão decorrente de toda essa situação vivida pelas mulheres mastectomizadas é referido por muitas pacientes como fator de enfraquecimento ao combate da doença e favorecedor tanto de sua recorrência, quanto de sua progressão” (BERNARDI, et. al., 2013, p. 3622).

Estudos relacionados com o yoga constataram que após um treinamento com hatha yoga houve aumento da capacidade vital respiratória, diminuição do ritmo respiratório (PRATAP; BERRETTINI; SMITH, 1978; SINGH, 1972) e aumento na tolerância do estresse físico (SCHNEIDER, et al., 1995), bem como, com a prática de exercícios respiratórios, de relaxamento e a visualização mental do yoga melhoram o estado de humor (WOOD, 1993), com menor tendência para reagir com agressividade (SCHELL; ALLOLIO; SCHONECKE, 1994) (LEITE, 1999, p. 3).

            O processo de recuperação deve ser, portanto, não apenas físico, mas igualmente psicológico em razão dos efeitos colaterais que o tratamento ocasiona e que podem afetar a imagem pessoal das mulheres e sua autoestima. Nesse ponto a prática da yoga pode ser um importante auxílio na recuperação de tais pacientes, já que trabalha sempre em uma perspectiva mais abrangente, envolvendo o físico, mental, emocional e espiritual (LÓPEZ; DÍAZ-PÁEZ, 1998).

            A Tabela abaixo mostra um resumo a partir de pesquisas sobre estudos relacionando principalmente o yoga com a redução da ansiedade e outros fatores, como estresse e a neurose utilizando, na maioria dos casos o Hatha Yoga.

 

(VORKAPIC; RANGÉ, 2011, p. 53).

            Kleber Santos (2013, p. 23-28) também apresenta uma tabela com a exposição de vários estudos a partir de uma revisão de literatura feita em bases de dados eletrônicos como Pubmed, Scielo, Cochrane e periódicos da CAPES. Foram analisados estudos de atividades físicas e yoga que envolvem desde a saúde da mulher (menopausa, câncer de mama, mulheres idosas), até adultos com diabetes, hipercifose, asma, dores de cabeça e lombar, doenças renais e esquizofrenia.

            O Hatha Yoga está dividido, segundo os professores Harendra Teotia e Rita Teotia (2000, p. 28) em 10 passos: asanas (posturas), pranayamas (respiração), bandhas (controle muscular), mudras (gestos para controles neuromusculares), nidras (relaxamento), kriyas (purificação interna), mitahara (nutrição), dharma (condua ética), dhyana (meditação) e mantras (entoação de sílabas ou palavras).

            Alguns textos clássicos sobre Hatha-Yoga: Shiva Samhita; Gheranda Samhita; Hatha-Yoga Pradipika (a “pequena lâmpada do yoga”, atribuído ao yogi Svatmarama) e Yoga Kundali Upanishada. Todos os textos estão disponíveis no site Shri Yoga Devi.

 

Referências Bibliográficas

BERNARDI, Maria Lima D. [et. al.]. Efeitos da intervenção Hatha-Yoga nos níveis de estresse e ansiedade em mulheres mastectomizadas. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, vol. 18, n. 12, p 3621-3632, dez. 2013. Acessado em 06/02/2016.

BUETTNER, C. [et. al.]. Correlates of use of different types of complementary and alternative medicine by breast cancer survivors in the nurses’ health study. Breast Cancer Res Treat, 100(2):219-227, 2006. Acessado em 15/02/2016.

CULOS-REED, S.N. [et. al.]. A pilot study of yoga for breast cancer survivors: physical and psychological benefits. Psycho-Oncology, 15(10):891-897, 2006. Acessado em 15/02/2016.

FEUERSTEIN, G. A tradição do Yoga: história, literatura, filosofia e prática. 5. ed. São Paulo: Pensamento, 2006.

LÓPEZ, Gonzalez V.; DÍAZ-PÁEZ, Waterland A. Efectos del Hatha-Yoga sobre la salud. Parte II. Rev Cuba Med Gen Integr, 14(5):499-503, 1998. Acessado em 18/02/2016.

MOADEL, A.B. [et. al.]. Randomized controlled trial of yoga among a multiethnic sample of breast cancer patients: effects on quality of life. J Clin Oncol, 25(28):4387-4394, 2007. Acessado em 18/02/2016.

PRATAP, V.; BERRETTINI, W.H.; SMITH, C. Arterial blood gases in pranayama practice. Perceptual and Motor Skills, v.46, p.171-174, 1978. Acesso em 18/02/2016.

SANTOS, Kleber Luis Silva. Efeitos da prática da ioga no controle postural e no bem-estar de trabalhadores. Dissertação (Mestrado em Fisioterapia). Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Universidade Federal de São Carlos. São Carlos-SP, 2013. Acessado em 15/02/2016.

SCHELL, F.J.; ALLOLIO, B.; SCHONECKE, O.W. Physiological and psychological effects of Hatha-yoga exercise in health women. Jnt. J. Psychosom, Würzburg: 41(1-4):46-52, 1994. Acesso em 18/02/2016.

SINGH, V.; WISNIEWSKI, A.; BRITTON, J; TATTERSFlELD, A. Effect of yoga breathing exercises (pranayama) on airway reactivity in subjects with asthma. Lancet, 335, p. 1381-83, jun. 1990. Acesso em 18/02/2016.

TEOTIA, Harendra S.; TEOTIA, Rita. Yoga e Saúde. Dieta, relaxamento, respiração, posturas, meditação & estresse. Campina Grande-PB: Oriental Yoga Center, 2000.

VORKAPIC, Camila F.; RANGÉ, Bernard. Os benefícios do yoga nos transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, vol. 7, n. 1, p. 50-54, jun. 2011. Acessado em 07/02/2016.

WOOD, C. Mood change and perceptions of vitality: a comparison of the effects of relaxation, visualization and yoga. Journal of The royal society of Medicine. Oxford: v.86, May, 1993. Acesso em: 18/02/2016.

 

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