Humanismo Renascentista

Humanismo Renascentista

por Alexsandro M. Medeiros

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            O período do Renascimento do ponto de vista literário, como o próprio nome sugere, é uma época baseada na intenção de reviver a literatura clássica greco-romana. O antropocentrismo: a valorização do homem (daí humanismo) é a principal característica desta época e, de certo modo, desponta como uma oposição ao teocentrismo medieval. Dizemos de certo modo porque é possível perceber facilmente que as preocupações com o divino e o sobrenatural do teocentrismo medieval não desaparecem no contexto do renascimento. Em alguns casos, como em Thomas Morus, a transcendência religiosa permanece como explicação e apoio da vida humana. Apenas há uma inversão e maior valorização do ser humano como fonte e objeto de investigação e reflexão. E isso pode ser percebido não apenas na literatura, mas na filosofia, na escultura, na pintura etc. Autores humanistas se destacam, como Dante Alighieri, Francesco Petrarca, Giovanni Boccaccio, além de autores portugueses como Sá de Miranda, Antônio Ferreira e Luís de Camões.

 

 

            Para os propósitos deste site, a relação entre literatura e política aparece sobretudo nas utopias de Thomas Morus, Tomaso Campanella, Francis Bacon, muitos inspirados na filosofia platônica seja em seu apoio ou para criticá-la, como é o caso da Nova Atlântida de Bacon.

            A palavra “utopia” geralmente é associada a algo irrealizável ou que não existe em lugar nenhum. Entretanto, de acordo com Claude-Gilbert Dubois (apud MONTEIRO, 2013), a palavra utopia pode estar tanto associada a “nenhum lugar” (considerando a união do advérbio grego “ou” – que significa “nenhum” – ao substantivo “topos” – que significa “lugar” – “outopia”) ou um lugar feliz, um lugar onde se vive bem (considerando a união do advérbio “eu” – feliz – ao mesmo substantivo – “eutopia”). Utopia como “lugar nenhum” é, de fato, um lugar irreal. Mas como “lugar feliz”, tem uma exigência ética e política que preside a elaboração deste sonho “utópico” e, ainda de acordo com Claude-Gilbert Dubois “os dois sentidos são inseparáveis, e uma definição da utopia como construção mental deve levar em conta ao mesmo tempo estes dois aspectos, fictício e projetivo” (apud MONTEIRO, 2013, p. 65).

            A Utopia de Thomas Morus, junto com outras obras que se lhe seguiram, inaugura um gênero literário que apresenta ao leitor uma outra sociedade, em outro lugar, sujeita à história, às ideologias, aos estilos, à cultura e à política de cada época (RIBEIRO, 2005). Um gênero literário que tem um caráter imagético, que opõe o real e o imaginário, de uma realidade descrita satiricamente ou imageticamente, como projeções em um tempo futuro ou um “sonho utópico” que se vinculam à situação social da época em que são produzidas. O mundo descrito corresponde ao inverso do mundo real, narrado em minúcias como existente no tempo, embora geograficamente afastado e deslocado no espaço em relação ao universo real (VOSSKAMP, 2009; RACAULT, 2009).

 

Thomas Morus – Utopia

 

            Thomas Morus nasceu em Londres, chegou a ser Grande Chanceler da Inglaterra em 1529, mas morreu decapitado em 1535, principalmente pela sua ruptura com a corte real em 1532 a partir do momento que o Rei Henrique VIII abjurou o catolicismo e pela sua recusa, em 1533, a assistir a coroação de Ana Bolena e prestar fidelidade a seus descendentes, sendo condenado à morte por crime de alta traição. Sua obra mais conhecida, Utopia (1516), foi editada na Suiça por Erasmo de Rotterdam, a quem Morus estava ligado por fortes laços de amizade.

            Do ponto de vista político e social a Utopia representa, entre outras coisas: uma análise das particularidades do feudalismo em decadência e uma crítica do regime burguês; um Estado guiado pelo Direito Natural baseado na igualdade entre todos os cidadãos e uma vida comunitária; o bem supremo. Além disso,

 

 

A Utopia é uma obra que pode ser interpretada sobretudo como uma crítica à Inglaterra das primeiras décadas do século XVI. E não apenas à Inglaterra, mas também a outros estados europeus, como a França, explicitamente citada. O contraste entre, de um lado, a ilha imaginária e, de outro, não apenas esta outra ilha, a Inglaterra, mas também, de forma mais ampla, a Europa, fornece as bases dessa crítica (ALMINO apud MORE, 2004, p. XI)[1].

 

 

 

 

            A crítica ao feudalismo e ao regime burguês com suas injustiças e misérias aparece logo na primeira parte. Considerando que a nobreza e o clero possuíam a maior parte da riqueza e propriedades da época, Thomas Morus idealiza uma sociedade sem propriedade privada, com absoluta comunidade de bens e das terras, sem trabalho assalariado, sendo o Estado o órgão administrador da produção. Por isso podemos dizer que, além do lado ficcional (Utopia como já vimos é uma palavra de origem grega que pode significar “lugar nenhum”; Amaurota, a capital de Utopia, significa cidade inexistente; e Ademos, o rei, exprime a ideia de chefe sem povo) a obra apresenta um quadro dos problemas sociais da Europa e mais precisamente da Inglaterra de então. Morus “apresenta um mundo livre de tais problemas, ao mesmo tempo em que discute os acontecimentos mais relevantes de sua época [...] o modo de ser e de viver dos habitantes, a organização política, as instituições sociais, a economia etc.” (MONTEIRO, 2013, p. 65).

            João Almino, na introdução da obra, editada pela Universidade de Brasília, fala de uma certa ambiguidade e, por isso, uma certa dificuldade para entender a visão política de Morus na Utopia, pois ao mesmo tempo em que Morus se distancia do seu relato declarando que sua intenção era a de fazer um caráter meramente expositivo da vida dos utopienses, cuja capital era Amaurota, em outras passagens deixa claro que não se trata de mero relato neutro considerando a República dos utopienses como a melhor, mais duradoura e feliz: “Diz ainda alegrar-se com que os utopienses tenham encontrado a forma de Estado que deseja para toda a humanidade” (apud MORE, 2004, p. XXX). Por outro lado, o caráter utópico da narrativa também é ressaltado quando More afirma, após o relato de Rafael, que ele:

 

recordou muitos detalhes que lhe haviam parecido absurdos nas leis e costumes daquele povo, não somente na sua maneira de guerrear e nas demais instituições, mas também e especialmente no fundamento principal de todas elas: a vida e o sustento em comum, sem nenhuma circulação de moeda, o que, conforme afirma, destrói toda a nobreza, magnificência, esplendor e majestade que, segundo a opinião pública, constituiriam o ornamento e a honra das Repúblicas. Claro, podemos pressupor que se trata de ironia e crítica velada aos que assim pensam. Esta opinião não seria a do escritor inglês Thomas More, mas a do personagem Thomas More que ele criou para introduzir a dialética e a ambigüidade em sua narrativa. Essa ambigüidade serve-lhe também como defesa contra possíveis acusações (ALMINO apud MORE, 2004, p. XXX).

 

            Por fim Morus ressalta que, embora nem tudo o que Rafael lhe disse pode parecer verdade ele acredita haver, na Utopia, muitas coisas que desejaria ver na sociedade. O que Morus e sua obra nos permite é refletir sobre a ação do Estado, seus governantes e governados, embora não se trate de um tratado prescritivo ou normativo das relações políticas e sociais.

 

Hoje há quem diga que a utopia morreu. No entanto, são ainda da ordem da utopia os ideais vigentes de aperfeiçoamento das sociedades contemporâneas, de construção de novas formas de sociabilidade, inclusive através do desenvolvimento das tecnologias da informação, e de instituição de uma governança global dentro de uma ordem justa e democrática (ALMINO apud MORE, 2004, p. XXXII).

 

            A Utopia é um ideal de sociedade que deseja praticar e difundir o bem, defende as nações amigas, procura reformar os maus governos, é ordenadora da realidade social, ao mesmo tempo em que empreende guerras preventivas e “humanitárias”. Ressalta a ideia de soberania, relações internacionais, auto-suficiência, independência. Morus é um grande pensador e escritor humanista, um genuíno representante do humanismo renascentista, embora sua obra dificilmente possa servir de fundamento nos tempos atuais para lançar as bases de uma verdadeira democracia em escala global.

 

Tommaso Campanella – A Cidade do Sol

 

            Campanella foi um monge dominicano que entrou em vários conflitos com as ideias da Igreja por causa de suas teorias de inspiração neoplatônica e do materialismo do filósofo grego Demócrito. Por causa de suas constantes controvérsias com a Igreja foi condenado à prisão perpétua em 1602 e foi nesse período da prisão que escreveu A Cidade do Sol, procurando conciliar suas ideias com a autoridade da Igreja, onde descreve uma República ideal governada pela razão, inspirado em parte na República de Platão e na Utopia de Thomas Morus.

 

No lastro da Utopia de Thomas More, nos séculos seguintes dos tempos modernos, outras cidades imaginárias foram descritas. No século XVII, destaca-se a Cidade do Sol, de Tommaso Campanella [...] Embora hoje não seja muito lembrado, Campanella, personagem polêmico e contraditório, submetido a vários processos pelos órgãos de controle da ortodoxia da Igreja Católica, além de famosa contribuição de utopista expressa em sua obra Cidade do Sol, foi um pensador original (ALBORNOZ, 2005, p. 59 e 61).

 

            Na obra, um timoneiro da frota de Cristóvão Colombo, denominado simplesmente Genovês, é quem descreve as características da Cidade do Sol, localizada na distante ilha de Taprobana, através de um diálogo com um cavaleiro Grão-Mestre da Ordem dos Hospitalários de São José de Jerusalém (ordem religiosa baseada no serviço hospitalar prestado aos peregrinos que viajavam à Terra Santa). O diálogo inicia-se justamente com uma pergunta do Grão-Mestre à Genovês: “Vamos, peço-lhe, conte finalmente o que lhe aconteceu durante essa viagem” (BRUNO; GALILEI; CAMPANELLA, 1983, p. 268). Tendo um dia desembarcado na ilha Genovês relata seus valores, costumes, tradições, seu sistema institucional, arquitetura, plano urbano etc. A obra de Campanella “integra o rol das utopias literárias, gênero caracterizado principalmente pelo vínculo com a história, pelo seu caráter descritivo e pelas reflexões que suscita através do cotejamento entre o mundo inventado e a sociedade real” (MONTEIRO, 2013, p. 01).

 

 

 

O relato de Genovês sobre Cidade do Sol inicia-se com a indicação de sua localização e a descrição de suas construções. Inquirido por Hospitalário, o marinheiro fornece poucas referências geográficas: a urbe está em uma alta colina de uma vasta planície da Taprobana, abaixo da linha do Equador. A zona em que a cidade se situa é de clima ameno, pois as temperaturas da linha do Equador são medianas [...] Morus escolhe o Oceano Atlântico Meridional para sediar Utopia. Campanella, menos de um século depois, escolhe o Índico [...] a escolha de um local distante e existente fornece verossimilhança à narrativa, impossibilita a verificação das ideias e dos fatos narrados e busca o convencimento do leitor (MONTEIRO, 2013, p. 39 e 40).

 

            A cidade, circundada por grandes muralhas, é composta por grandiosos palácios, galerias com belas pinturas, um grande templo em forma circular “apoiado em maciças e elegantes colunas” (BRUNO; GALILEI; CAMPANELLA, 1983, p. 269), que simboliza o Sol: o templo fica no centro da Cidade, tal como o nosso Sol ocupa o centro do sistema solar. Campanella revela aqui um certo simbolismo de caráter platônico e oculto: o Sol representa a divindade e tal como esta, as leis da cidade fundam-se em uma lei eterna, que exprime a arte e a sabedoria divinas. A religião ocupa uma posição de destaque na organização da Cidade do Sol: o supremo soberano, Hoh ou Metafísico, detém o poder espiritual e temporal.

 

os preceitos que disciplinam e organizam a vida dos habitantes derivam de uma lei eterna, que exprime a arte e a sabedoria de Deus. O ordenamento legal da urbe visa ao bem comum; este, por sua vez, corresponde a um instrumento para a felicidade da coletividade e, consequentemente, para a felicidade individual. Sendo assim, o legislador dos solares é o mais sábio dentre eles e, ao mesmo tempo, cientista e sacerdote (MONTEIRO, 2013, p. 02).

 

            Campanella imagina uma vida rigorosamente ordenada, já que a sociedade do seu tempo (como em todas as épocas, é bom que se diga) está repleta de problemas sociais, de desordens, tirania, arbitrariedades; por isso na Cidade do Sol aparece uma forte tendência à racionalidade, à organização segundo a razão. Esta ordem adquire um sentido de busca da harmonia natural. Para Campanella a desordem do mundo deriva da irracionalidade dos governantes que não seguem os preceitos da razão. Mas esta ordem e harmonia só podem ser adquiridas não apenas pela via da razão (sabedoria), mas da potência (poder) e do amor.

 

Poder, saber e querer, ou melhor, potência, sabedoria e amor são os traços fundamentais e as três virtudes fundamentais [...] As faculdades básicas de poder, saber e querer, transformadas, em outro nível, nas virtudes da potência, da sabedoria, do amor, acabam sendo transpostas a um nível filosófico superior, tornando-se determinações mais sublimes e precisas destas categorias, onde se dão como “necessitas, fatume harmonia. Nestas formas de dizer as forças do ser apresenta-se o elemento da ordem, e é a ordem o princípio fundamental do pensamento de Campanella (ALBORNOZ, 2005, p. 61 e 62).

 

            No Governo da Cidade Hoh, o Sumo Sacerdote[2], é assessorado por um triunvirato: Pon, Sin e Mor: “nomes que, entre nós, equivalem a Potência, Sapiência e Amor” (BRUNO; GALILEI; CAMPANELLA, 1983, p. 270)[3]. De acordo com esta concepção, é previsto um Ministério do Poder, um Ministério da Sabedoria e um Ministério da Harmonia. Além dos governantes há os magistrados

 

que se chama Astrólogo, outro Cosmógrafo, Aritmético, Geômetra, Historiógrafo, Poeta, Lógico, Retórico, Gramático, Médico, Fisiólogo, Político, Moralista, havendo para eles um único livro chamado Saber, no qual, com maravilhosa concisão e clareza, estão inscritas todas as ciências (BRUNO; GALILEI; CAMPANELLA, 1983, p. 270).

 

            Os objetivos principais da comunidade solar são a harmonia social e o perfeito funcionamento de suas instituições. A Cidade do Sol buscará a ordem onde tudo terá lugar previsto não sendo tolerada nenhuma perturbação pela contingência ou o acaso.

            Não é nossa intenção fazer uma descrição pormenorizada da estrutura e da organização política da Cidade do Sol, por isso iremos nos deter apenas é mais um aspecto da organização solar, que é uma espécie de comunismo utópico: comunidade de bens e pessoas[4]. Na sociedade solar impera o princípio comunitário: tudo é comum – casas, dormitórios, alimentos, aprendizado, trabalho, inclusive mulheres e filhos. Baseado em um certo princípio de justiça distributiva, os magistrados são os responsáveis pela distribuição de todos os bens. A propriedade privada não é bem vista entre os solares e gera concentração de riquezas[5]. A desigualdade econômica é associada à pobreza e à riqueza, que são qualidades desprezíveis entre os solares.

 

Afirmam, além disso, que a pobreza é a razão principal de se tornarem os homens vis, velhacos, fraudulentos, ladrões, intrigantes, vagabundos, mentirosos, falsos testemunhos, etc., produzindo a riqueza os insolentes, os soberbos, os ignorantes, os traidores, os presunçosos, os falsários, os vaidosos, os egoístas, etc. (CAMPANELLA, 1983, p. 280).

 

            Se o oposto da propriedade privada é o comunismo, então a primeira deve ser constantemente combatida e abolida, ao passo que só uma vida comunitária pode gerar uma sociedade ordenada, sem pobreza e desigualdade. Essa ideia de uma vida em comunidade está, inclusive, associada, ao ideal de vida dos primeiros cristãos que, segundo Genovês, são admirados pelos solares por seu estilo de vida virtuoso e solidário. Há aqui o que Carlos Berriel (2008) chama de “princípio ético-econômico do coletivismo”: garantia da igualdade, exaltação do trabalho (o regime de bens na Cidade do Sol proporciona trabalho a todos os solares) e ausência de propriedade. O coletivismo solar é representado por uma distribuição planejada e rigorosa das tarefas e afazeres, o que faz com que cada indivíduo não trabalhe mais do que quatro horas por dia, sobrando tempo para o estudo, leitura, passeios, lazer etc.

            Por estas poucas observações vemos que o Estado solar é teocrático e baseado no princípio da comunidade de bens e do coletivismo. A autoridade está centralizada na figura de quatro sacerdotes, sendo três triúnviros que assessoram o Sumo Sacerdote. Este por sua vez detém o poder temporal e espiritual. A Cidade do Sol corresponde a um modelo social diferente de qualquer outro modelo existente no mundo real, a idealização de uma sociedade que deve ser diferente de toda organização social e política até então existente. “Assim, utilizando-se de alegorias dispostas em um texto ficcional, Campanella expõe e discute as principais ideias que defendeu ao longo de toda sua vida” (MONTEIRO, 2013, p. 76).

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

ALBORNOZ, Suzane Guerra. Trabalho e utopia na modernidade II: o trabalho na Cidade do Sol de Tommaso Campanella. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 8, pp. 59-69, 2005. Acessado em 05/11/2015.

BERRIEL, Carlos Eduardo O. Campanella: a consciência da possível Contrareforma. Considerações sobre o “Appendice della politica detta La Città Del Sole di Fra Tommaso Campanella – Dialogo poetico”. Revista Morus - Utopia e Renascimento. Campinas: Gráfica Central da Unicamp, nº 5, 2008. Acessado em 05/11/2015.

BRUNO, Giordano; GALILEI, Galileu; CAMPANELLA, Tommaso. Sobre o infinito, o universo e os mundos; O Ensaiador; A cidade do sol. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Coleção Os Pensadores)

MONTEIRO, Regina Maria Carpentieri. A Filosofia do Direito em A Cidade do Sol, de Tommaso Campanella. Dissertação (Mestrado). Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. Campinas-SP, 2013.

MORUS, Thomas. Utopia. Prefácio de João Almino. Tradução de Anah de Melo Franco. Brasília: UnB: Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, 2004. (versão disponível online)

RACAULT, Jean-Michel. Da ideia de perfeição como elemento definidor da utopia: as utopias clássicas e a natureza humana. Revista Morus – Utopia e Renascimento. Campinas: Gráfica Central da Unicamp, n° 6, 2009. Acessado em 05/11/2015.

RIBEIRO, Ana Claudia Romano. A ilha dos hermafroditas: viagem à França especular de Henrique III. Dissertação (Mestrado). Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. Campinas-SP, 2005.

VOSSKAMP, Wilhelm. A organização da narrativa da imagem e da contra-imagem. Da poética das utopias literárias. Revista Morus - Utopia e Renascimento. Campinas: Gráfica Central da Unicamp, nº 6, 2009. Acessado em 05/11/2015.

 



[1] Introdução de João Almino à obra Utopia.

[2] Uma espécie de filósofo-rei como imaginado na República de Platão? Na sociedade solar, Hoh deve demonstrar capacidades intelectuais e sabedoria acima de qualquer outro habitante, conhecer profundamente as ciências, praticar naturalmente as virtudes e, inclusive, saber desvendar profecias. Não se chega ao posto de Sumo Sacerdote por hereditariedade ou disputas de poder. É preciso demonstrar capacidade para exercer a função máxima da cidade. Para maiores detalhes sobre a Filosofia Política de Platão, ver: Filosofia Antiga.

[3] Cada assessor do Sumo Sacerdote tem suas funções específicas: “Pon trata da guerra, da paz e da arte militar e preside os magistrados militares e o exército. Sin cuida das ciências e das artes liberais e mecânicas e supervisiona as escolas. Em sua equipe, existem tantos magistrados quantas são as ciências. Mor se ocupa da geração, em unir homem e mulher de modo que produzam boa “raça”. O príncipe Amor trata igualmente da educação das crianças, dos remédios, das especiarias, da semeadura e da colheita dos frutos, dos cereais, da pecuária, do vestuário e da preparação dos alimentos e das mesas” (MONTEIRO, 2013, p. 45).

[4] Mais uma vez encontramos aqui uma referência aos princípios da República de Platão. Como na República, encontramos não só a ideia de uma comunidade de bens mas a teoria, tão contrária a nossas ideias, de uma espécie de comunismo de mulheres e filhos(as) (os bebês são criados em locais comuns por dois anos ou mais quando então as meninas são entregues às mestras e os meninos aos mestres). O objetivo é o mesmo: evitar o egoísmo através dos laços familiares e promover a harmonia entre todos os habitantes. Uma espécie de comunismo elevado ao extremo: tudo o que não envolve a coletividade é considerado prejudicial.

[5] Antecipando a crítica rousseauniana do surgimento da Sociedade a partir da propriedade privada?

 

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