O Marxismo depois de Marx

O Marxismo depois de Marx

 

            Ao longo do século XX surgiram alguns movimentos revolucionários que procuraram inspirar-se nas ideias do Socialismo e comunismo marxista. De todos os movimentos que tiveram início no século XX a Revolução Russa marcou a história desde o processo de mobilização política em outubro de 1917 até a sua crise e decadência entre 1985 e 1991.

            A partir do marxismo, Lenin elaborou uma teoria do Estado comunista e comandou na Rússia a primeira revolução operária contra o sistema capitalista. Lênin, juntamente com Rosa Luxemburgo e Trostski, faz parte daquilo que Moraes Júnior chama de uma “[...] terceira geração de intelectuais marxistas engajados politicamente e revolucionariamente” (2012, p. 128). Todos os três exerceram em maior ou menor grau algum tipo de influência tanto teórica quanto partidária nas regiões do centro e do oriente Europeu. A Lênin – principal líder e pensador da revolução soviética de 1917 – coube um aprimoramento dos estudos sobre o materialismo histórico e sua aplicação à análise da questão agrária e o modelo rural da sociedade czarista. À Rosa Luxemburgo coube, momentos antes da primeira guerra mundial um estudo sistemático e socialista “[...] do lucro, da expansão imperialista e do papel da periferia não-capitalista na dinâmica econômica da Europa moderna” (id., ibidem, p. 129). Já Trotski escreveu uma obra intitulada Resultados e Perspectivas onde analisa novas formas para se compreender as condições de organização política e do movimento intelectual e revolucionário. Sobre a base marxista-leninista, Stalin organizou o Estado totalitário para estruturar a ditadura do proletariado e alcançar o comunismo.

 

com a ascensão de Josef Stalin ao poder, a Rússia inicia um longo e planejado processo de industrialização sob a direção e o controle do Estado. Stalin também acentua o caráter repressivo e totalitário do regime soviético, seja através de expurgos dos membros do partido, seja através da existência de campos de trabalho forçados (SELL, 2006, p. 68).

 

            Uma das características da organização social soviética foi a socialização dos meios de produção: todo conjunto  das atividades produtivas passou a ser organizada e regulada pelo Estado e não mais pela iniciativa privada. Além da existência de um partido político único: o Partido Comunista da União Soviética. O controle social do Estado se estendeu inclusive aos meios de comunicação com uma imprensa exclusivamente estatal.

            Entre os pensadores marxistas que discordaram de Stalin e acreditaram na diversidade de vias para atingir o mesmo fim destacam-se Trotski, Tito e Mao Zedong (Mao Tsé-tung).

            A outra vertente do totalitarismo foi o fascismo, baseado na crítica aos abusos do Capitalismo e do comunismo. Formadas por elementos heterogêneos e muitas vezes incoerentes, as ideologias fascistas deram fundamento intelectual aos regimes que tendiam a sobrepor o poder absoluto do Estado aos indivíduos, como o fascismo1 na Itália de Benito Mussolini e o nacional-socialismo na Alemanha de Adolf Hitler.

            Após a segunda guerra mundial, a democracia liberal, já dissociada do Liberalismo econômico, ressurgiu em diversos países europeus e americanos. Em suas instituições, as democracias acrescentaram os direitos sociais, como o direito ao trabalho e ao bem-estar, aos direitos individuais.

            A dissolução da União Soviética em dezembro de 1991 levou ao desaparecimento dos regimes comunistas no leste europeu e ao predomínio da democracia liberal. A então União Soviética cedeu lugar à Comunidade dos Estados Independentes e o Presidente Yeltsin anunciou um programa de desestatização da economia e liberalização de preços em uma rota inversa da preconizada por Marx.

            No mesmo período, sendo que dois anos antes (novembro de 1989), cai o muro de Berlim na Alemanha que dividia a Alemanha em Oriental e Ocidental, Comunista e Capitalista. Com o tempo ocorrem a unificação monetária (julho de 1990) e política (outubro de 1990).

            Cuba é um dos poucos países que ainda tenta permanecer fiel aos ideais do socialismo em transição para uma sociedade comunista.

 

 

Referências Bibliográficas

 

MORAES JÚNIOR, Manoel Ribeiro de. De Marx a Horkheimer: uma história da convergência entre teoria e práxis. Praxis Filosofica, n. 34, p. 119-137, jan./jun. 2012. Acessado em 22/02/2016.

SELL, Carlos Eduardo. Introdução à Sociologia Política: política e sociedade na modernidade tardia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

 

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[1] Sobre o Fascismo, Noberto Bobbio escreveu uma obra intitulada Dal fascismo alla democrazia (Do fascismo à democracia), traduzida para o português, que aprofunda o debate em torno do regime fascista: sua origem, os acontecimentos que conduziram à gênese e à afirmação do fascismo, sua ideologia, a difusão da resistência contra o regime, sua queda e a instauração da democracia constitucional, além de alguns personagens ligados ao regime. “O modo pelo qual Bobbio reconstrói a natureza do regime e da ideologia fascista, isto é, do programa italiano da antidemocracia, oferece um parâmetro para a análise comparativa de muitos fenômenos análogos” (Michelangelo Bovero, prefácio à edição brasileira apud BOBBIO, 2007). BOBBIO, N. Do Fascismo à Democracia: os regimes, as ideologias, os personagens e as culturas políticas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

 

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