O Príncipe

O Príncipe

por Alexsandro M. Medeiros

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Que queria dizer Maquiavel? A quem queria dar aulas, aos reis ou aos povos? De que lado ele se colocava? Do lado dos tiranos ou do lado dos republicanos? Ou de nenhum dos dois? (Raymond Aron apud MAQUIAVEL, 2001, p. IX – prefácio)

 

            A grande obra de Maquiavel e, possivelmente a mais conhecida e comentada, teve grande repercussão na Itália e na Europa a despeito de sua proibição e inclusão no Index librorum prohibitorum (DE MATTEI, 1969, p. 223; BAGNO, 2014) – o índice dos livros proibidos da Igreja Católica – que continha a lista de publicações proibidas, editado pela primeira vez em 1559 e abolido em 1966.

            Uma análise do contexto histórico em que se deu a produção da obra O Príncipe é feita por Arnaldo Cortina (1995), levando em consideração o trabalho de Larivaille (1988) e Agnes Heller (1980). O artigo de Arnaldo Cortina é um recorte de sua Tese de Doutorado intitulada: Leitura como processo de compreensão e de interpretação. “O Príncipe” e seus leitores (1994); transformada depois em livro com o título: o Príncipe de Maquiavel e seus leitores: uma investigação sobre o processo de leitura (2000).

 

Quando Maquiavel escreve O Príncipe, em 1513 [...] Seu texto pretende discutir a concepção de um poder centralizador, com o propósito de estabelecer a unificação de toda a península [itálica]. Dessa forma, estaria criado um Estado forte, capaz de se igualar ao francês e espanhol. Como, nessa época, quem detinha o poder político de Florença era Lorenzo II, é para ele que Maquiavel dedica seu trabalho (CORTINA, 1995, p. 90).

 

            Nesta obra Maquiavel inicia falando dos diferentes tipos de principados.

 

Divide inicialmente os principados em dois grupos, de acordo com a forma de acesso ao poder: hereditários e novos. A partir desta cisão básica pode-se construir um terceiro tipo, o dos principados mistos, caso dos Estados conquistados e anexados a um antigo. Os principados novos – tema dominante de sua investigação – podem ser adquiridos, segundo Maquiavel, de quatro formas: 1) pela “virtù”; 2) pela Fortuna; 3) pela violência celerada; 4) com o consentimento dos cidadãos (KRITSCH, 2001, p. 182).

 

 

 

A pergunta à qual Maquiavel procura responder aqui é: quais são, genericamente, os instrumento de comando que asseguram a estabilidade do poder e, portanto, a estabilidade do Estado? Há duas bases que sustentam o poder do príncipe em qualquer principado, explica ele: as boas leis e as boas armas. E as boas armas antecedem as boas leis. Como não há boas leis onde não há boas armas, Maquiavel concentra sua atenção inicialmente no estudo da força (KRITSCH, 2001, p. 182).

 

 

            Arnaldo Cortina (1995, p. 95-96) propõe a seguinte divisão da obra:

 

  1. As diversas formas de principado e o modo através do qual podem ser adquiridos ou mantidos (capítulos I a XI);
  2. Organização militar do Estado (capítulos XII a XIV);
  3. Conduta do Príncipe (capítulos XV a XIX);
  4. Assuntos de especial interesse para o Príncipe (capítulos XX a XXIII);
  5. Situação italiana na época de Maquiavel (capítulos XXIV e XXV).

(Fica excluído desta divisão o capítulo XXVI)

 

 

Referências Bibliográficas

 

BAGNO, Sandra. O Brasil na hora de ler Maquiavel: notas sobre a primeira edição brasileira d’O príncipe, traduzido por Elias Davidovich. Revista Tempo, vol. 20, p. 1-21, 2014. Acessado em 15/12/2015.

CORTINA, Arnaldo. As condições históricas de produção de O Príncipe de Maquiavel e sua organização discursiva. Alfa Revista de Linguística, São Paulo, vol. 39, p. 87-109, 1995. Acessado em 18/12/2015.

____. Leitura como processo de compreensão e de interpretação. “O Príncipe” e seus leitores. Tese (Doutorado em Letras – Área Semiótica e Linguística Geral). Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo. São Paulo, 1994.

____. O Príncipe de Maquiavel e seus leitores: uma investigação sobre o processo de leitura. São Paulo: UNESP, 2000.

DE MATTEI, Rodolfo. Dal premachiavellismo all’antimachiavellismo. Firenze: Sansoni, 1969.

HELLER, Agnes. O homem do renascimento. Tradução de Dario Canali. Porto Alegre: L&PM, 1980.

LARIVAILLE, P. A Itália no tempo de Maquiavel: Florença e Roma. Tradução de Jônatas Batista Neto. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Tradução de Maria Júlia Goldwasser. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

KRITSCH, Raquel. Maquiavel e a construção da política. Lua Nova, n. 53, p. 181-190, 2001. Acessado em 14/12/2015.

 

 

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