Espiritualidade e Poder na Trilogia O Senhor dos Anéis

por Alexsandro Melo Medeiros

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postado em ago. 2017

 

 

Do Grande Oceano

à Terra-Média eu vim.

Este será o meu lar

e protegerei os meus herdeiros

até o fim do mundo

 

            Tudo começou com a forja dos Grandes Anéis: três Anéis foram dados aos imortais elfos; sete Anéis aos Senhores Anões, grandes mineradores; e nove Anéis foram dados aos homens, que desejam acima de tudo o poder. Dentro desses Anéis foi selada a força e a vontade para governar cada raça da Terra-Média. Mas outro Anel foi feito na terra de Mordor, nas chamas da Montanha da Perdição, forjado por Sauron: o Um Anel, para tudo governar e para controlar todos os outros Anéis. “Sauron é o lorde do mal, uma entidade de poder quase invencível e que, com astúcia, dribla a morte e visa a dominar as raças da Terra-média por completo, subjugando-as aos seus desejos” (MANCINI; CALIL, 2015, p. 12). No Um Anel, Sauron derramou toda sua maldade, sua malícia e a sua vontade de dominar todas as formas de vida. O Um Anel possuía a seguinte inscrição que só ficava visível no fogo: “Um Anel para todos governar, um Anel para encontrá-los, um Anel para trazê-los e aprisioná-los na escuridão”.

            Os povos livres da Terra-Média foram submetidas ao poder do Anel, mas uma aliança entre os Homens e Elfos marchou contra o exército de Mordor para lutar pela liberdade da Terra-Média. Isildur, o filho do rei de Gondor, com um golpe de espada derrotou Sauron, o inimigo da Terra-Média. Mas ao tomar para si o Um Anel e ter a única chance de destruir o Mal para sempre, Isildur toma para si o Anel, pois o coração do homem corrompe-se facilmente. A fraqueza humana deu sobrevida ao Anel, pois Isildur teve a oportunidade de destruir o Anel mas não o fez: este foi o dia em que a força humana falhou.

            Mas o Anel não ficou muito tempo com Isildur. A força do poder do Anel traiu Isildur levando-o até a morte e o Um Anel caiu no esquecimento por dois mil e quinhentos anos, até encontrar um novo portador: a criatura Gollum que foi consumido pelo poder do Anel nas profundezas das Montanhas da Névoa, envenenando sua mente durante quinhentos anos. O Anel do poder estava apenas esperando a sua hora e o chamado de seu Mestre para retornar àquele que o forjou e depois de ter-se perdido das mãos de Gollum aconteceu algo inesperado pelo Anel: ele foi achado por um Hobbit (uma variação da raça dos homens): Bilbo Bolseiro, do Condado, protagonista de O Hobbit. Os hobbits “da Terra-Média eram muito parecidos com os humanos, porém medindo cerca de 1m a 1,40m. Os hobbits eram pacíficos e viviam basicamente de agricultura e comércio” (KLAUTAU, 2006, p. 11 – nota 10). “Hobbits são seres criados por Tolkien. São menores que os anões, mas extremamente ágeis, podendo desaparecer com facilidade. Seus pés são grandes e peludos, tornando-os resistentes a grandes caminhadas. Normalmente são pacatos, e adoram contar e ouvir boas histórias, comer e fumar cachimbo” (RIBEIRO, 2005, p. 198).

            É aqui que começa a trilogia, no Condado, dos Hobbits. Com uma festa de despedida para Bilbo Bolseiro. No Condado começa a se desenrolar a trama, com a descoberta, por parte do mago Gandalf, de que o anel que estava com Bilbo era, de fato, o Um Anel. E Frodo recebe sua árdua tarefa que, inicialmente, era apenas o de levar o Um Anel até Valfenda, lar dos elfos. Mas a sua jornada ainda iria muito mais além.

 

Espiritualidade e Poder na trilogia O Senhor dos Anéis

            Quem quiser se aventurar na senda do Poder precisa encarar sua odisseia espiritual. Mas a vida não costuma ser piedosa com os fracos de espírito e essa odisseia é cheia de dificuldades e obstáculos. O coração humano é fraco e facilmente seduzido e corrompido pelo poder. Algum filósofo já disse, em algum momento: se quiseres saber quem é o homem, dá a ele poder.

            O único jeito de lidar com as influências que o poder exerce sobre nosso espírito é mergulhando profundamente em nosso eu interior, lutando com as forças da vida e com coragem para destruir o poder da ambição e da cobiça. O Um Anel, que simboliza o aspecto sombrio do eu interior, tem que ser destruído no mesmo lugar onde foi forjado. O que nos leva a nossa odisseia espiritual, a nossa viagem até a Montanha “Interior” da Perdição, onde devemos destruir o poder do Um Anel que há em nós.

            O Um Anel é um instrumento de poder absoluto e com essa simbologia a trilogia O Senhor dos Anéis faz uma clara alusão à corrupção que o poder acarreta (KRYMSE, 2003; PEREIRA; LOPES; LIMA, 2010), sobretudo na espécie humana, “que é facilmente corruptível”. O Senhor dos Anéis traz um simbolismo metafórico de disputa pelo poder sintetizado na luta pelo Um Anel. “O anel como símbolo, um dos pontos centrais desta investigação, sintetiza todo o processo de disputa pelo poder na literatura do escritor inglês” (PEREIRA; LOPES; LIMA, 2010, p. 93). E Klautau (2006, p. 1) acrescenta: “o Um Anel é compreendido por desejo de poder sobre homens, terras e conhecimento”. E nem mesmo os grandes sábios estão livres de sua influência e poder, como acontece com o mago Saruman.

            É uma viagem longa e os obstáculos são inúmeros. Em um mundo simbólico “de espadas e magia, de demônios e seres sobrenaturais, o ambiente evoca uma Idade Média imaginária, em que linhagens de reis são reivindicadas como autoridade comunitária e política” (KLAUTAU, 2006, p. 2; KLAUTAU, 2007, p. 39).

            A Terra Média é composta pelos chamados “povos livres”, as quatro raças distintas: homens, elfos, anões e hobbits (que aqui simbolizam a união em torno de um objetivo comum que é a luta contra o poder de dominação do mal). Sauron, o senhor de Mordor, tenta de todas as formas vencer e subjugar a Terra-Média e, para isso, forma grandes exércitos, compostos de orcs, trolls, uruk-hai e nazguls (espectros do Anel que um dia foram homens e reis).

 

As armadilhas do poder: subjugação e libertação

            O poder apresenta uma série de armadilhas, conforme aponta Monteiro (2016, p. 8): o poder possui elementos de atração, ilusão e usurpação;

a atração exercida pelo poder pode se transformar em uma obsessão destrutiva; o poder pode ser manipulado, tornando-se apenas uma ilusão, uma ideologia falha na cabeça daquele que pensa ser poderoso; finalmente, o poder pode ser usurpado, transformando-se em algo efêmero para seus detentores

            Não é uma tarefa fácil se liberta da influência que o poder exerce sobre nós e, não raro, somos facilmente atraídos e iludidos por aquilo que o poder pode proporcionar. A influência que o poder pode exercer sobre nós pode se dar de forma tão obsessiva, que nos tornamos capazes  de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para obtê-lo, como acontece com Sauron ou a criatura Gollum. Há também aqueles que são levados temporariamente ao poder, como o Regente de Gondor, Lorde Denethor, e que ao se sentir atraído pelas armadilhas do poder não está disposto a se desfazer dele.

            Há aqueles que são tentados pela ambição do poder mas não sucumbem a ele: esse fato se revela na tentação de Galadriel, a Senhora de Lórien, terra mágica de elfos, quando Galadriel conduz Frodo para ver o futuro através do espelho e Frodo oferece-lhe o Anel. Galadriel representa o espírito livre que venceu a si mesmo. Galadriel tinha o Um Anel ao alcance de suas mãos, mas não se deixou vencer pela sua atração. Vencida a tentação, Galadriel fala da missão do portador do Anel: a escravidão é o que acontece se falhar. Portar o Anel do poder é estar sozinho. A tarefa de destruir o Anel foi destinada ao portador do Anel. Se ele não descobrir um jeito de destruí-lo, ninguém descobrirá.

            Mas nem todos conseguem vencer a tentação que o poder proporciona. Quando tudo parece que vai ter fim, quando Frodo está na beira do abismo para destruir o Anel, o Anel mais uma vez revela o seu poder. Frodo chegou tão longe, tão perto de destruir o Anel, mas não teve forças para fazê-lo. A única coisa que ele precisava fazer era soltar o Anel no abismo da Montanha da Perdição, mas não conseguiu.

            A maior influência do Anel foi sobre a criatura Gollum que passou tanto tempo sob a influência do Anel, aproximadamente quinhentos anos, que até esqueceu quem ele era, esqueceu o seu próprio nome (seu nome verdadeiro é Smigol que, antes de se tornar na criatura Gollum pela influência do Anel, era um Hobbit, como Frodo). Gollum ama e odeia o Anel como ama e odeia a si mesmo. A luta de Gollum consigo mesmo é mais uma forma simbólica de representar a luta entre o Bem e o Mal que se trava no interior de nossa mente, entre a luz e a sombra presente em nosso Self – em sentido amplo, aquilo que define a pessoa na sua individualidade e subjetividade, na terminologia do psicólogo Carl Gustav Jung. Por um tempo conseguimos vencer o Mal. Mas o conflito constante de Gollum entre obedecer Frodo e ceder à tentação do poder do Anel é vencido pelo último.

            Curiosamente é Gollum quem irá guiar Frodo e seu companheiro de viagem Sam até Mordor. Não porque Gollum seja um tipo de guia, mas porque conhece o caminho, e conhece o caminho porque já esteve na Montanha da Perdição. É como se as forças do Mal também servissem de guia para a nossa libertação, mas não porque querem a nossa libertação, e sim porque conhecem o caminho para o abismo. Quando Gollum se deixa vencer pela tentação do poder do Anel fica claro como as forças do Mal, apesar de ter um propósito diferente, podem servir de ponte para um caminho libertador. Uma outra curiosidade relativa à Gollum é que será a cobiça deste que irá destruir o Um Anel, e não a força de Frodo. Frodo terá a coragem de levar o Anel até Mordor e isso mesmo sem saber o destino que o aguardava ou o caminho que deveria seguir (talvez se conhecesse ambos não teria seguido tal caminho). Mas não teve a coragem necessária para destruir o Um Anel.

            E no fim, que não é o fim, o reencontro dos amigos, o reencontro da Sociedade do Anel.

            Assim é a odisseia da alma. Quando descobre o caminho que deve trilhar não tem como voltar a sua vida antiga. Ela entende que não tem mais volta e que só há um caminho a seguir: o da luta contra suas próprias sombras. Mas essa luta é árdua e dolorosa, deixa marcada suas cicatrizes, algumas que são tão profundas, que fazem sangrar até mesmo nossa alma.

Como se recupera sua vida antiga?

Como é que se continua?

Quando em seu coração, você começa a entender

Que não há volta

 

Há certas coisas que o tempo não pode concertar

Alguns machucados que vão tão fundo

Que serão eternos

 

O fim, que não é o fim

            Até que chegou os dias do Rei. Aragorn é coroado: “Vamos juntos reconstruir esse mundo. Que possamos compartilhar dias de paz”. E em um ato de humildade o Rei se curva diante dos quatro Hobbits, como para demonstrar que a força pode vir de onde menos se suspeita.

            De acordo com Curry (1997, p. 27 apud KLAUTAU, 2007, p. 190) o fato de O Senhor dos Anéis ter início e fim no Condado dos Hobbits também tem um simbolismo significativo:

O Condado, por J. R. R, Tolkien

(WAYNE; SCULL, 2000 apud KLAUTAU, 2007, p. 249).

 

Este é o mundo social, cultural e político. Inclui coisas como o forte senso hobbit de comunidade, sua descentralizada paroquial ou municipal democracia, o bioregionalismo deles (vivendo em um (sic) área definida por suas características naturais, e dentro de seus limites), e o seu permanente amor pelo, e sentimento por, lugar. Em todos esses aspectos , (sic) o contraste último é o brutal universalismo e a eficiência centralizada do totalitário Mordor.

            A trilogia nos conduz através de uma luta que revela o contraste entre a organização social comunitária dos Hobbits e a liberdade dos povos da Terra-Média, com o totalitarismo e o imperialismo de Sauron que se impõe pela dominação e pela opressão. A luta entre o bem e o mal. A luta pela liberdade e pelo poder.

            E o que é a história da humanidade, parafraseando o filósofo alemão Karl Marx, senão a história da luta pelo poder?

 

Referências Bibliográficas

KLAUTAU, Diego. O Bem e o Mal na Terra Média – a filosofia de Santo Agostinho em O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien como crítica à modernidade. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC. São Paulo, 2007.

____. O Mal e o Poder: o simbólico do Um Anel em O Senhor dos Anéis. Ciberteologia – Revista de Teologia e Cultura, ano II, n. 8, p. 1-12, nov./dez. 2006. Acesso em 28/02/2017.

KYRMSE, Ronald E. Tolkien: a vida explica a obra. In: ____. Explicando Tolkien. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

MANCINI, Renata Ciampone; CALIL, Lucas. Um olhar tensivo sobre o semissimbolismo em “O Senhor dos Anéis”. Estudos Semióticos, v. 11, n. 1, p. 11–20, jul. 2015. Acesso em 18/03/2017.

MONTEIRO, Flávia R. O poder da coroa e o poder do anel: ressonâncias shakespearianas na literatura de fantasia de J. R. R. Tolkien. Em Tese, vol. 18, n. 2, p. 1-14, jan.-abr./ 2016. Acesso em 27/02/2017.

PEREIRA, André M.; LOPES, Leandro A.; LIMA, Lucas L. O simbolismo do anel: a representação do imperialismo europeu (1870-1914) na obra O Senhor dos Anéis, de J. R. R Tolkien. Revista Alpha, (11), p. 87-95, ago. 2010. Acesso em 27/02/2016.

 

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Nota

A obra O Senhor dos Anéis foi escrita entre 1936 e 1949 e publicada apenas em 1954 e 1955. A obra é uma continuação de uma outra, intitulada O Hobbit, que tem como protagonista Bilbo Bolseiro. A esta lista de livros é preciso acrescentar ainda o Silmarilion que, para alguns, é considerado a verdadeira obra-prima de Tolkien, sendo a primeira obra, escrita em 1917, mas publicada apenas postumamente em 1977 (ANTUNES, 2009; KLAUTAU, 2007). O Senhor dos Anéis é a narrativa do retorno de Sauron e sua tentativa de dominar os povos livres da Terra Média através do poder do Um Anel. Mas Sauron irá sofrer uma forte resistência dos povos livres da Terra Média, através da Sociedade do Anel que agrupava quatro pequenos Hobbits, um Mago, dois Homens, um elfo e um anão. A única esperança dos povos livres é destruir o Um Anel na Montanha da Perdição onde foi forjado e é então que começa a odisseia de Frodo, o portador do Anel a quem foi incumbida a tarefa de levá-lo à Montanha da Perdição para destruir junto com seus companheiros da Sociedade do Anel: Samwise Gamge, seu devotado companheiro; Peregrin Tûk e Meriadoc Bandebuque, seus amigos do Condado; Gandalf, o mago; Aragorn e Boromir, homens e guerreiros; Legolas, o elfo; e Gimli, o anão.

Os personagens da trilogia e seus simbolismos

A Trilogia: simboliza os três dias entre a morte e a ressurreição

A Terra-Média: simboliza o universo mítico criado por J. R. R. Tolkien.

O poder do Um Anel: simboliza o aspecto sombrio do eu interior, do Self na terminologia junguiana.

Os povos livres da Terra-Média: representam a aspiração de um modelo de organização social desejado por todos.

Sauron, o senhor do escuro: representa o tirano que busca consolidar o seu império e o completo domínio de todos os povos livres da Terra-Média.

Gandalf o mago(cinzento e depois branco): representa o poder espiritual, o mestre da sabedoria, o guerreiro da Luz, o iniciado.

Saruman, o mago branco: representa o poder espiritual corrompido.

Frodo Bolseiro: representa a odisseia da alma.

Samwise Gamge: é uma espécie de guia protetor de Frodo.

Os quatro Hobbits (além de Frodo e Samwise: Meriadoc Brandebuque, o Merry e Peregrin Tûk, o Pippin): representam a coragem, a lealdade, a amizade, a sinceridade e até a inocência.

Aragorn, herdeiro do Trono de Gondor: representa a esperança na força dos homens e o equilíbrio.

Boromir e Gimli (o anão): representam a coragem e a força irrefletida e sem medida. Boromir acredita poder usar o poder do Anel em favor dos povos da Terra-Média e Gimli acredita ter força suficiente para destruir o Anel.

Legolas, o elfo: representa a intuição e a visão além da percepção sensorial.

Arwen, a elfo: representa a imortalidade e, junto com Aragorn, representa o amor espiritual, que transcende a barreira do tempo.

Rei Théoden, de Rohan: representa a morte do justo, que não foge da luta e vê a morte como algo bom, como um encontro com os antepassados e em cuja companhia não sentirá vergonha.

Éowyn, filha do Rei Théoden: representa a força do poder feminino, única capaz de derrotar o cavaleiro negro.

O Regente de Gondor, Lorde Denethor (pai de Boromir e Faramir): representa aquele que mesmo tendo temporariamente o poder sobre suas mãos não está disposto a se desfazer dele. O Regente não tem nenhuma coragem para enfrentar seus inimigos.

Faramir: representa, além do filho rejeitado, a transgressão da lei por uma causa maior e mais justa. As leis de seu pai condenavam à morte aqueles que libertavam algum prisioneiro, e ao permitir que Frodo e Sam fossem libertados para seguir sua missão, Faramir seria submetido a tal lei.

Gollum: representa o ser que sucumbe ao poder do anel e não consegue se libertar dele e por isso vive em função do Anel.

Os 9 Cavaleiros Negros, servos do Senhor do Escuro: são espectros do Anel do Poder, nem vivos nem mortos: eram reis humanos que caíram na escuridão pela cobiça e pelo poder do Anel e são invocados pela eternidade a serviço de Sauron.

Nazgûl: aves aladas, com garras enormes, corpo negro e que emitem um som ensurdecedor, guiados pelos espectros do Anel.

A Sociedade do Anel: representa uma espécie de Conselho de Segurança da organização das nações da Terra-Média. Cada raça da Terra-Média está presa a um destino, a maldição do Um Anel, e por isso precisam se unir se não quiserem sucumbir ao seu poder. A Sociedade do Anel representa a união em torno de um objetivo comum.

Alguns exemplos que podem ter servido de inspiração para Tolkien sobre o símbolo do Um Anel.

“a lenda nórdica do Anel dos Nibelungen [...] . Wotan (Odin) se apodera de um Anel que confere grandes poderes. Wotan, querendo se livrar do anel amaldiçoado, cede-o para os gigantes. A maldição causou logo efeito, pois um dos gigantes mata o outro, e o que restou se transforma em um dragão que passa a guardar o anel. O anel de Nibelungen dá ao seu portador o poder, a dominação sobre a natureza, tornando-se ao mesmo tempo seu amo e escravo (PEREIRA; LOPES; LIMA, 2010, p. 93).

Platão e o mito do anel de Giges

[...] segundo se conta, o antepassado de Giges, o Lídio. Este homem era pastor a serviço do rei que naquela época governava a Lídia. Cedo dia, durante uma violenta tempestade acompanhada de um terremoto, o solo fendeu-se e formou-se um precipício perto do lugar onde o seu rebanho pastava. Tomado de assombro, desceu ao fundo do abismo e, entre outras maravilhas que a lenda enumera, viu um cavalo de bronze oco, cheio de pequenas aberturas; debruçando-se para o interior, viu um cadáver que parecia maior do que o de um homem e que tinha na mão um anel de ouro, de que se apoderou; depois partiu sem levar mais nada. Com esse anel no dedo, foi assistir à assembléia habitual dos pastores, que se realizava todos os meses, para informar ao rei o estado dos seus rebanhos. Tendo ocupado o seu lugar no meio dos outros, virou sem querer o engaste do anel para o interior da mão; imediatamente se tomou invisível aos seus vizinhos, que falaram dele como se não se encontrasse ali. Assustado, apalpou novamente o anel, virou o engaste para fora e tomou-se visível. Tendo-se apercebido disso, repetiu a experiência, para ver se o anel tinha realmente esse poder; reproduziu-se o mesmo prodígio virando o engaste para dentro, tomava-se invisível; para fora, visível. Assim que teve a certeza, conseguiu juntar-se aos mensageiros que iriam ter com o rei. Chegando ao palácio, seduziu a rainha, conspirou com ela a morte do rei, matou-o e obteve assim o poder.

Nova interpretação da passagem 359d da República de Platão

Mitologia Grega - O Anel de Giges (vídeo youtube)

 

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