O sócio interacionismo de Lev Vygotsky

O sócio interacionismo de Lev Vygotsky

por Alexsandro M. Medeiros

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postado em out. 2016

 

            Vygotsky é um famoso psicólogo russo que, apesar de sua formação em Direito, pela Universidade de Moscovo em 1918, destacou-se mais no campo da arte e da psicologia, cuja tese de doutorado defendida em 1925 versava sobre Psicologia da Arte. O seu interesse pela Psicologia levou-o a uma leitura crítica das teorias em voga como o Behaviorismo, a Gestalt, a Psicanálise, além das ideias de Jean Piaget. As obras desses autores e escolas são citadas e comentadas em seus diversos trabalhos.

            Foi graças a uma conferência proferida no "II Congresso de Psicologia" em Leningrado que Vygotsky foi convidado a trabalhar no Instituto de Psicologia de Moscou, revelando interesses pelo estudo das funções mentais superiores, da cultura, da linguagem e dos processos orgânicos cerebrais pesquisados por neurofisiologistas russos com quem conviveu, especialmente Alexander Luria e Alexei Leontiev, sendo considerado hoje em dia como o grande fundador da escola soviética de psicologia histórico-cultural (CABRERA. VILLALOBOS, 2007; OLIVEIRA, 2012).

            O contexto em que viveu Vygotsky ajuda a explicar o rumo que seu trabalho iria tomar. As suas ideias foram desenvolvidas na União Soviética saída da Revolução Russa de 1917 e refletem o desejo de reescrever a psicologia, com base no materialismo marxista, e construir uma teoria da educação adequada à nova realidade social emergida da revolução. “Su genio estribó en sentar las bases de un nuevo sistema psicológico a partir de materiales tomados de la filosofía y de las ciencias sociales de su época” (BEATRIZ; MAZZARELLA, 2001, p. 41).

 

Vygotsky, ao lado de seus colaboradores diretos, Luria e Leontiev, propõe um estudo sócio-genético do ser humano, assim como estabelece relações com as condições biológicas, principalmente nos aspectos neurológicos, na tentativa de evitar reducionismos e simplificações de qualquer espécie (LUCCI, 2006, p. 2).

 

            Molon (1995 e 2003) e Bonin (1996) destacam como os interesses de Vygotsky pela psicologia estão relacionados com aspectos culturais: gênese e desenvolvimento cultural do ser humano, com ênfase nos estudos sobre a linguagem, considerada como instrumento do pensamento humano. A ênfase no estudo da linguagem também é dada por Marta Kohl Oliveira (2006), considerada uma autoridade em estudos vygotskianos: a linguagem é instrumento do pensamento. Shuare (1990) ressalta que o historicismo é a chave para entender a teoria de Vygotsky. Souza e Andrada (2013) destacam que, embora a teoria de Vygotsky esteja comumente associada aos temas da educação, os fundamentos da Psicologia Histórico-Cultural ou da Teoria Sócio-Interacionista possibilitariam compreender o ser humano de modo sistêmico, articulando as dimensões psíquicas e sócio culturais.

            Diferente das escolas de psicologia existentes até o momento, de orientação comportamentaista ou mentalista, Vygostky acentua a relação dialética existente entre sujeito e cultura, sujeiro e história, sujeito e meio social, como uma forma de explicitar a gênese das funções psicológicas dos seres humanos. Entende o homem como um ser histórico-social, ou ainda histórico-cultural, moldado pela própria cultura que ele cria, determinado pelas interações sociais cuja atividade mental se torna resultante da aprendizagem social, da interiorização da cultura e das relações sociais, mas não de forma passiva e sim, ativa. Em outras palavras, o desenvolvimento mental para Vygotsky, além de um processo filogenético e ontogenético (ligado à gênese da espécie e do indivíduo) é também um processo sociogenético, em que tanto o organismo quanto o psiquismo são ativos e estabelecem uma contínua interação com as condições do meio em que vive.

            Sua doutrina, também conhecida como Sócio-Interacionismo, ou mais precisamente, Teoria Sócio-Histórica, postula uma dialética das interações com o outro e com o meio, como desencadeador do desenvolvimento.

 

Diante de tal quadro, ele propôs, então, uma nova psicologia que, baseada no método e nos princípios do materialismo dialético, compreendesse o aspecto cognitivo a partir da descrição e explicação das funções psicológicas superiores, as quais, na sua visão, eram determinadas histórica e culturalmente. Ou seja, propõe uma teoria marxista do funcionamento intelectual humano que inclui tanto a identificação dos mecanismos cerebrais subjacentes à formação e desenvolvimento das funções psicológicas, como a especificação do contexto social em que ocorreu tal desenvolvimento (LUCCI, 2006, p. 4).

 

            O método dialético materialista desenvolvido pelo filósofo alemão Karl Marx analisa o movimento dos contrários em que o resultado final, a síntese, se dá a partir de uma dinâmica entre uma tese e uma antítese, aqui neste caso, o outro e o meio. Desta forma, na teoria de Vygotsky, o homem é visto como alguém que transforma e é transformado pelas relações sociais. O que ocorre é uma interação (dialética) entre o ser humano e o meio social e cultural onde está inserido, ou seja, o desenvolvimento humano é compreendido como o produto de fatores biológicos, e fatores ambientais que agem sobre o organismo, determinando seu comportamento.

 

Ele rejeita os modelos baseados em pressupostos inatistas que determinam características comportamentais universais do ser humano [...] Discorda também da visão ambientalista, pois, para ele, o indivíduo não é resultado de um determinismo cultural, ou seja, não é um receptáculo vazio, um ser passivo, que só reage frente às pressões do meio, e sim um sujeito que realiza uma atividade organizadora na sua interação com o mundo (DAMIANI; NEVES, 2006, p. 07-08).

 

            O conceito de síntese pode ser encontrado largamente na sua obra. O autor define a síntese não apenas como a soma ou a justaposição de dois ou mais elementos, e sim como a emergência de um produto totalmente novo gerado a partir da interação entre elementos anteriores. Em certo sentido, Vygotsky está mais próximo do empirismo do que do inatismo. Para o psicólogo, primeiro somos seres sociais e depois nos individualizamos. Mas o sujeito não é um mero receptáculo passivo que absorve e contempla o real, mas um sujeito ativo que em sua relação com o mundo se reconstrói neste mundo.

 

Disponível em: Slideshare, slide 19

Acessado em 27/09/2016

 

            Vygotsky e seus colaboradores acreditam que a estrutura dos estádios descrita por Piaget seja correta, porém diferem na concepção de sua dinâmica evolutiva. Enquanto Piaget defende que a estruturação do organismo precede o desenvolvimento, para Vygotsky é o próprio processo de aprender que gera e promove o desenvolvimento das estruturas mentais superiores. Assim, podemos ver como a visão de Vygotsky dá importância à dimensão social, interpessoal, na construção do sujeito psicológico.

            Se por um lado o conceito de subjetividade é tratado muitas vezes em Psicologia como algo interno ao sujeito, o sócio interacionismo de Vygotsky destaca a dialética entre o sujeito e o meio como o principal responsável pela sua formação. Este debate, em torno dos aspectos sociais inerentes ao desenvolvimento da subjetividade, recebeu diferentes aportes teóricos nos debates soviéticos Luria e Leontiev (1991), Leontiev (2004), e também fora da união soviética, com o psicólogo marxista francês Wallon (1975) e outros teóricos como Zinhenko (1998).

            Além disso, Vygotsky toma como ponto de partida as funções psicológicas dos indivíduos, as quais classificou em elementares e superiores. A partir das estruturas orgânicas elementares do processo de maturação é que se formam novas e complexas funções mentais que inclui também o elemento sociocultural. As funções psicológicas superiores são de origem social, mas só são possíveis porque existe uma base biológica, cerebral, que permite tais atividades. Dito de outro modo, as funções psicológicas superiores não tem origem no cérebro, mas não existem sem ele. “Vygotsky considera que o modo de funcionamento do cérebro é moldado ao longo da história da espécie (base filogênica) e do desenvolvimento individual (base ontogênica), como produto da interação com o meio físico e social (base sociogênica)” (LUCCI, 2006, p. 8).

            As funções psicológicas superiores que estão na base do desenvolvimento ontogênico não ocorrem de forma linear e retilínea, mas a partir de uma série de transformações qualitativas e dialéticas, no qual a linguagem (primeiro a linguagem oral e depois a escrita) constitui o elemento mais significativo do desenvolvimento cognitivo, representando um salto de qualidade nas funções psicológicas superiores.

 

O processo evolutivo do elementar ao superior não é paralelo ou sobreposto, mas resultado de combinações e nexos entre as funções, formando uma imbricada rede de sínteses entre elas [...] As Funções Psicológicas Superiores (FPS), como memória, consciência, percepção, atenção, fala, pensamento, vontade, formação de conceitos e emoção, se intercambiam nesta rede de nexos ou relações e formam, assim, um sistema psicológico, em que as funções se relacionam entre si (SOUZA; ANDRADA, 2013, p. 357).

 

Linguagem e Aprendizagem

 

            Para Vygotsky e seus colaboradores, o desenvolvimento é impulsionado pela linguagem. A linguagem é fundamental e capaz de transformar decisivamente os rumos de nossa atividade. Por entender que a linguagem representa um elo de ligação muito importante entre o mundo sócio cultural e oo processos mentais dos indivíduos, Vygotsky qualifico a linguagem como a pedra angular do desenvolvimento cognitivo do ser humano. Quando aprendemos a linguagem específica do nosso meio sociocultural, transformamos radicalmente os rumos de nosso próprio desenvolvimento.

 

De acuerdo con la teoría sociocultural de Vygotsky (1978), el conocimiento es un fenómeno profundamente social. La ex­periencia social moldea las formas que el individuo tiene disponibles para pensar e interpretar el mundo, y en esta experiencia, el lenguaje juega un papel fundamental en una mente formada socialmente porque es nuestra primera vía de contacto mental y de comunicación con otros, sirve como el instrumento más importante por medio del cual la experiencia social es representada de manera psicológica y, a la vez, representa una herramienta indispensable para el pensamiento (Leont’ev, 1959; VYGOTSKY, 1987 apud CABRERA. VILLALOBOS, 2007, p. 412)

 

            Vygotsky defende que o meio social é determinante do desenvolvimento humano e que isso acontece fundamentalmente pela aprendizagem da linguagem, que ocorre por imitação e mediado através da interação com o outros (BRUNER, 1987): “el lenguaje es una actividad social y es aprendido a través de la interacción con otros” (WELLS, 1986 apud CABRERA. VILLALOBOS, 2007, p. 413). A premissa básica da teoria de Vygotsky é a de que toda forma de atividade mental humana de ordem superior é derivada de contextos sociais e culturais. Todas as atividades mentais de ordem superior são inicialmente criadas através da interação social e só posteriormente se convertem em processos mentais internos. “Como lo afirma Vygotsky (1979), ‘la dimen­sión social de la conciencia es lo primero en tiempo y en hecho. La dimensión individual es derivativa y secundaria’” (apud CABRERA. VILLALOBOS, 2007, p. 413). Toda função mental superior necessariamente atravessa uma etapa externa de seu desenvolvimento que corresponde ao aspecto social, ou seja, toda função mental superior foi externa porque foi social em algum momento antes de converter-se em uma função interna (VYGOTSKY, 1981). Para compreender o desenvolvimento dos indivíduos, é necessário compreender as relações sociais das quais o indivíduo faz parte. O psicólogo russo

 

concebe o homem como um ser histórico e produto de um conjunto de relações sociais. Ele se pergunta como os fatores sociais podem modelar a mente e construir o psiquismo e a resposta que apresenta nasce de uma perspectiva semiológica, na qual o signo, como um produto social, tem uma função geradora e organizadora dos processos psicológicos. O autor considera que a consciência é engendrada no social, a partir das relações que os homens estabelecem entre si, por meio de uma atividade sígnica, portanto, pela mediação da linguagem. Os signos são os instrumentos que, agindo internamente no homem, provocam-lhe transformações internas, que o fazem passar de ser biológico a ser sócio-histórico. Não existem signos internos, na consciência, que não tenham sido engendrados na trama ideológica semiótica da sociedade (DAMIANI; NEVES, 2006, p. 06).

 

            Para Vygotsky, o mundo da aprendizagem infantil é assistida ou mediada pelos professores e pelo seu ambiente, e a maior parte desta comunicação é orientada pela linguagem, em outras palavras, o psicólogo acreditava que o desenvolvimento cognitivo ocorre por meio da linguagem, das conversas e interações das crianças com os adultos (família, professores etc.)

          Outra contribuição vygotskiana de relevo foi a relação que estabelece entre Pensamento e Linguagem, desenvolvida no seu livro de mesmo título. Em Pensamento e Linguagem, Vygotsky expõe com profundidade sua visão sobre a relação entre cognição e linguagem e a importância do seu pensamento se revela do fato de que em praticamente todos os manuais de história da Psicologia a figura de Vygotsky ocupa um papel de destaque (GONZÁLEZ, 2010). A relação entre cognição e linguagem tem sido estudada por vários autores, como Souza e Andrada (2013) que procuram abordar esta relação a partir da ideia de que a fala é expressão do psiquismo e contribui para o seu desenvolvimento. Quando uma criança se comunica com o meio vai construindo as condições para que a fala organize a função do pensamento e é por volta dos dois anos que há um grande salto no desenvolvimento do sujeito quando, a partir do desenvolvimento da fala, a criança pode explorar a relação entre signo e significado.

 

A palavra é o signo que conceitua e, ao mesmo tempo, representa o objeto, dando-lhe sentido como um predicado do pensamento. À medida que a fala fica mais complexa, o pensamento também se torna mais desenvolvido. Cada estágio do desenvolvimento do significado das palavras representa também um novo estágio de desenvolvimento na relação entre pensamento e fala (2013, p. 358).

 

            O signo é aquilo que permite a transferência de conhecimento do plano social para o plano individual. Antes da escrita, a mediação das relações entre as pessoas ocorre através do signo que são internalizados ajudando no desenvolvimento de processos mentais.

            Vygotsky enfatizou que os signos constituem o nexo entre o plano social e o plano psíquico e os seres humanos geram uma ampla variedade de instrumentos simbólicos como a obra de arte, sistemas simbólicos algébricos, compreensão e produção de textos, diagramas e mapas, entre outros. Utilizando uma analogia com um instrumento ou ferramente como o martelo poderíamos dizer que, da mesma que o martelo é um meio para obter controle sobre objetos físicos e transformá-los, assim funciona a linguagem por meio dos signos.

 

Aprendizagem Assistida e Zona de desenvolvimento proximal

 

            As obras de Vygotsky incluem alguns conceitos que se tornaram incontornáveis na área do desenvolvimento da aprendizagem. Dois destes conceitos mais importantes são o de Aprendizagem Assitida e o de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que se relaciona com a diferença entre o que a criança consegue aprender sozinha e aquilo que consegue aprender com a ajuda de um adulto. A ZDP é, portanto, tudo o que a criança pode adquirir em termos intelectuais quando lhe é dado o suporte educacional devido. Este conceito será, posteriormente desenvolvido por Jerome Bruner, sendo hoje vulgarmente designado por etapa de desenvolvimento.

            A aprendizagem assistida visa, em última análise, fazer com que os alunos trabalhem cada vez mais sozinhos, mas que requer uma orientação (assistência) prévia, no sentido de fornecer informações, pistas, lembretes, incentivos no momento certo etc. Desta forma, o professor assiste a aprendizagem conduzindo os alunos pelos passos de um problema complicado, permitindo que o aluno gradualmente alcance a aprendizagem. Como saber que tipo de ajuda oferecer e quando oferecê-la é algo que está diretamente relacionado com o conceito de ZDP.

            A ZDP define a distância entre o nível de desenvolvimento real, determinado pela capacidade de resolver um problema sem ajuda, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através de resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro (a aprendizagem acontece no intervalo entre o conhecimento real e o conhecimento potencial.). Quer dizer, é a série de informações que a pessoa tem a potencialidade de aprender mas ainda não completou o processo, conhecimentos fora de seu alcance atual, mas potencialmente atingíveis. Em outras palavras, a ZDP é a distância existente entre o que o sujeito já sabe e aquilo que ele tem potencialidade de aprender. Seria neste campo que a educação atuaria, que se daria a aprendizagem assistida, estimulando a aquisição do potencial, partindo do conhecimento da ZDP do aprendiz, para assim intervir. O conhecimento potencial, ao ser alcançado, passa a ser o conhecimento real e a ZDP redefine-se a partir do que seria o novo potencial.

          O nível de desenvolvimento real é dinâmico, aumenta dialeticamente com os movimentos do processo de aprendizagem. O desenvolvimento potencial é determinado pelas habilidades que o indivíduo já construiu, porém encontram-se em processo. Isto significa que a dialética da aprendizagem que gerou o desenvolvimento real, gerou também habilidades que se encontram em um nível menos elaborado que o já consolidado. Desta forma, o desenvolvimento potencial é aquele que o sujeito poderá construir. Nessa concepção, as interações têm um papel crucial e determinante.

            Para definir o conhecimento real, Vygotsky sugere que se avalie o que o sujeito é capaz de fazer sozinho, e o potencial aquilo que ele consegue fazer com ajuda de outro sujeito. Segundo Vygotsky, em qualquer ponto do desenvolvimento existem certos problemas que uma criança está prestes a ser capaz de resolver. Ela precisa apenas de alguma estrutura como pistas e lembretes, ajuda para recordar detalhes ou passos, incentivo para continuar tentando etc. Por outro lado, alguns problemas estão além da capacidade da criança mesmo que cada passo seja explicado claramente. Pode acontecer inclusive, de que os melhores “professores” sejam os outros alunos que acabaram de compreender um determinado problema, no sentido de que estes “professores” podem estar operando na ZDP do aprendiz Assim determina-se a ZDP e o nível de riqueza e diversidade das interações determinará o potencial atingido. Quanto mais ricas as interações, maior e mais sofisticado será o desenvolvimento.

            A ZDP muitas vezes é tomada como um dos níveis de desenvolvimento, porém, trata-se precisamente do campo intermediário do processo. Sendo o desenvolvimento potencial uma incógnita, já que não foi ainda atingido, Vygotsky postula sua identificação através do entendimento da ZDP. Tomando-se como premissa o desenvolvimento real como aquilo que o sujeito consolidou de forma autônoma, o potencial pode ser inferido com base no que o indivíduo consegue resolver com ajuda. Assim, a zona proximal fornece os indícios do potencial, permitindo que os processos educativos atuem de forma sistemática e individualizada. O esforço pedagógico deve se situar no sentido de

 

criar Zonas de Desenvolvimento Proximal (ZDP's), isto é, atuando como elemento de intervenção, de ajuda. Na ZDP, o professor atua de forma explícita, interferindo no desenvolvimento dos alunos, provocando avanços que não ocorreriam espontaneamente. Vygotsky, dessa forma, resgata a importância da escola e do papel do professor como agentes indispensáveis do processo de ensinoaprendizagem. O professor pode interferir no processo de aprendizagem do aluno e contribuir para a transmissão do conhecimento acumulado historicamente pela Humanidade. É nesse sentido que as idéias de Vygotsky sobre a Educação constituem-se em uma abordagem da transmissão cultural, tanto quanto do desenvolvimento (DAMIANI; NEVES, 2006, p. 09).

 

Disponível em: Blog Jean Piaget e Lev Vygotsky

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Alexander Luria

 

            Alexander Romanovich Luria foi um famoso neuropsicólogo russo, nascido na pequena cidade de Kazan, a leste de Moscou. Em 1924, Luria conheceu Vygotski, que o influenciou profundamente. Juntamente com Alexei Leontiev, Luria e Vygotski desenvolveram um novo tipo de Psicologia, relacionando os processos psicológicos com aspectos culturais, históricos e instrumentais, com ênfase no papel fundamental da linguagem. Luria interessou-se também pelo estudo da influência da cultura nos processos mentais, que os pesquisadores soviéticos chamaram de mediação cultural.

 

Disponível em: Slideshare, slide 2

Acessado em 27/09/2016

 

 

            Luria dividiu o cérebro humano em 3 unidades básicas e funcionais: (1) a unidade de atenção, localizada na substância reticulada e cerebelo; (2) a unidade de codificação e processamento, localizada nos lobos occipital, temporal e parietal; (3) a unidade de planificação, localizada no lobo frontal. A abordagem neuropsicológica de Luria veio a dar origem a diversas teorias, entre as quais a teoria de processamento cognitivo PASS, de Das, Kirby e Naglieri.

 

 

Referências Bibliográficas

 

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