Os Chakras

por Alexsandro M. Medeiros

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postado em fev. 2017

 

            A palavra Chakra, de origem sânscrita, significa literalmente “roda” (GERBER, 2000; KULCHESKI, s/d). Por isso podemos dizer que os Chakras são discos energéticos, centros de força ou centros vitais: “se apresentam como espécie de vórtices, turbilhões ou redemoinhos, verdadeiros discos giratórios etéricos em alta velocidade, com movimento contínuo e acelerado” (KULCHESKI, s/d, p. 43).

            Ao considerar que a energia possa ser uma das unidades básicas do universo, então os chakras desempenham um importante papel de fazer circular essa energia pelo corpo físico e espiritual (que as denominações espiritualistas chamam de períspirito ou corpo astral). Os chakras podem ser entendidos ainda como pontos de conexão ou enlace pelos quais flui a energia do corpo físico ao períspirito ou corpo astral, como terminais através dos quais a energia vital (o prana das religiões orientais) é transmitida de planos superiores para o corpo físico. Sobre a energia vital assim se refere Camberos (2013, p. 152):

La medicina natural que mejor describe a la energía universal elemental es el Reiki, palabra japonesa que significa “energía vital universal”. “Rei” significa universal y hace referencia a la parte espiritual, a la esencia energética cósmica, que interpenetra todas las cosas y circunda todos los lugares. “Ki” es la energía vital individual que rodea el cuerpo, manteniéndolo vivo

            No que diz respeito aos chakras estes funcionam também como acumuladores, distribuidores e controladores de energias: centrífuga (espírito-matéria) e centrípeta (matéria-espírito).

Las culturas orientales hablan del alma, del aura y de los chakras, como las formas puras de la energía vital que emana del cuerpo físico. El alma, ánima o ajayu es nuestro Ego, nuestro Super Yo, el verdadero “Yo” [...] El aura representa las líneas de fuerza del cuerpo que tienen diferentes colores, con un espectro más amplio del que la vista humana podría alcanzar sin ayuda de la clarividencia. Los colores áuricos emanan de los centros más importantes del cuerpo; son los centros de concentración psíquica, conocidos como chakras, lotos o ruedas. La esfera dorada, aureola o fuerza psíquica superior que rodea la cabeza es parte del aura, y está formada por las emanaciones vitales del chakra coronário (CAMBEROS, 2013, p. 159).

            Através destas ponderações de Camberos podemos considerar que o fluxo energético gerado pelos chakras gera uma atmosfera envolta do corpo físico conhecida por aura humana: uma emanação sutil produzida em razão do movimento dos chakras.

            Os chakras possuem correspondentes no corpo físico, que são os plexos nervosos. O sistema nervoso é complexo e atravessa todo o corpo físico, formando uma série de “cordões”. Em certos pontos, as células nervosas formam uma espécie de rede compacta e a  esses pontos denomina-se de “plexos” nervosos. Existem alguns no corpo, mas alguns são considerados de maior importância, pela localização e pelo trabalho que realizam. Esses plexos, localizados no corpo físico, se apresentam no perispírito ou corpo astral (uma forma para denominar um corpo intermediário que existe entre o espírito e o corpo físico), contraparte que não se materializa, e possuem funções que realizam trabalho específico. Assim, correspondendo aos locais dos plexos físicos, o perispírito ou corpo astral possui “turbilhões”, que servem de ligação e captação dos elementos fluídicos do plano astral. A estes pontos ou centros de força é o que denomina-se “chakras”. Além de estar associado a um grande plexo nervoso, os chakras também estão associados a uma glândula endócrina e “a determinado órgão ou região do corpo, influenciando-o em sua função” (FREITAG; ANDRADE; BADKE, 2015, p. 348). É através do sistema endócrino que, segundo Freitag, Andrade e Badke (2015, p. 348), os chakras fornecem “e ao mesmo tempo devolve as energias sutis dos mesmos ao corpo. O método opera através da inter-relação entre os chakras e as glândulas endócrinas e, desse modo, envolve os planos físico, energético e mental no processo de cura”. Os grandes chakras estão situados numa linha vertical que sobe da base da espinha até a cabeça.

            Vários são os chakras existentes, variando sua denominação e número total, de acordo com os autores estudados. Em geral são considerados sete ou oito os mais importantes: básico, genésico, gástrico, esplênico, cardíaco, laríngeo, frontal e coronário. Algumas vertentes espiritualistas excluem dessa lista de mais importantes o esplênico; já a tradição espírita não dá tanta ênfase ao chakra básico. Kulcheski (s/d) entende como sendo apenas um o básico e o genésico, mas reconhece que outros autores entendem como sendo distintos um do outro. Siegel e Barros (2013, p. 175) destacam que relatos antigos da tradição budista se referem aos “chakras como círculos ou rodas de energia sutil, localizados no corpo, [e] são encontrados no Caryagiti e no Hevajra Tantra, textos budistas do século VIII e que situam quatro chakras no corpo humano na altura do umbigo, do coração, da garganta e da cabeça”.

 

Imagem Disponível em:

Blog Projeção Astral

Acesso em 11/02/2017

 

 

            Abaixo temos uma breve descrição de oito chakras, incluindo seus nomes de acordo com a fisiologia esotérica da antiga Índia (TEOTIA; TEOTIA, 2000), sendo que neste último caso o esplênico é considerado um chakra secundário (como é possível perceber pela ausência na imagem ao lado).

 

1. Coronário (Sahasrara) – localizado no alto da cabeça, grande assimilador das energias solares e dos raios da espiritualidade Superior, capazes de favorecer a sublimação da alma; “O nome Coronário vem de coroa. Conhecido entre os hindus por ‘lótus de mil pétalas’” (KULCHESKI, s/d, p. 77); corresponde a epífise, ou glândula pineal; é o chakra que capta as energias vindas do plano espiritual superior e do cosmos, funcionando como grande distribuidor de energia e supervisor dos demais centros; dele parte a corrente de estímulos espirituais transmitindo aos demais centros da alma reflexos vivos de nossos sentimentos, ideias e ações; “Sahasrara Chakra é a morada do Deus Shiva. O lugar de união. Lugar de super percepção (Samadhi)” (TEOTIA; TEOTIA, 2000, p. 64 – grifos no original).

2. Frontal (Ajna) – localizado no lobo frontal, relaciona-se com o plexo carotídeo e corresponde a hipófise ou glândula pituitária e em comunhão com o coronário, administram os sistemas endócrino e nervoso; “Este também é um dos chacras responsáveis pela vidência e intuição no campo da mediunidade. Através dele emitimos nossa energia mental, portanto, é neste chacra que possuímos o comando dos poderes psíquicos” (KULCHESKI, s/d, p. 76).

3. Laríngeo (Vishuddha) – localizado na garganta e relacionado com o plexo faríngeo; comanda os fenômenos vocais e as atividades de certas glândulas endócrinas, a saber, o timo, a tireóide e paratireóide, controlando a respiração e fonação.

4. Cardíaco (Anahata) – localizado no coração e relacionado com o plexo cardíaco e com a glândula do timo; regula as emoções e sentimentos, como também a circulação da força vital.

5. Gástrico ou Solar (ou ainda Umbilical) (Manipura) – localizado no estômago, relaciona-se com o plexo solar (plexo epigástrico) e com a glândula pâncreas; responde pelo fígado, pâncreas e supra-renais; é responsável pela assimilação dos alimentos através da digestão;

6. Esplênico - localizado no baço, relaciona-se com o plexo mesentérico; “É o principal centro energético de vitalização de todo o corpo físico. Abastece o baço, órgão purificador do sangue” (KULCHESKI, s/d, p. 71); regula a distribuição e circulação dos recursos vitais, fazendo também filtragem e armazenagem dos mesmos; regula também o sistema imunológico.

7. Genésico (Swadhishthana) - localizado na bexiga; relaciona-se com o plexo gânglio sacro e com as glândulas sexuais; responde pelos ovários na mulher ou testículos no homem; regula o sistema urinário e sua ativação aumenta a libido; recebe influência direta do básico.

8. Básico (Muladhara) - localizado na última vértebra da coluna, relaciona-se com o plexo coccígeo (plexo retal) e com a glândula supra-renal; é a porta de entrada da Kundalini; essa força revigora o sexo e também pode ser transformada em vigor mental, alimentando outros centros; influencia diretamente o genésico agindo em conjunto com este sobre o sexo.

 

Imagem disponível em: Vivo Mais Saudável (Acesso em 11/02/2017)

            O que a tradição esotérica chama de chakra vem sendo descoberto e estudado sob uma perspectiva, por assim dizer, mais científica, por autores como Goswami (2005) e Motoyama (2004). Goswami (2005, p. 131) se refere à “abertura” dos chakras como uma experiência importante para controlar o movimento da energia vital (prana na tradição Yoga, chi na tradição chinesa – ver mais em Energia Vital e Fluidoterapia).

Às vezes, todos os chakras podem se abrir ao mesmo tempo, dando-se a integração de todas as identidades vitais físicas dos diversos chakras. Nas tradições esotéricas, isso se chama ascensão do kundalini, o prana latente, desde o chakra [básico] até a coroa [coronário], o chakras (sic) mais elevado. Diz a lenda que essa energia prânica fica latente na base da espinha, que é o ponto chacra mais baixo.

Desarmonia dos centros de força

            Desde que podemos assimilar as energias provinda de padrões vibratórios mais elevados, de igual sorte podemos entender sua desarmonia, sua desfunção, como consequência da assimilação de energias negativas, o que repercute, assim, diretamente nos veículos físico e perispiritual, pelo que importa tenhamo-los harmonizados, equilibrados, em perfeito funcionamento.

            De maneira geral, nosso agir e nosso pensar desequilibrados fazem surgir desarmonias nos centros de força que, para se restabelecerem, carecem do restabelecimento do seu portador. E isso não se dá por uma simples “ativação dos centros de força”, e sim pelo reequilíbrio do “campo” que gerou o “defeito”.

Debido a que cada chakra es un punto colector tanto de desarrollo personal como de conflicto, su bloqueo afecta la integridad energética del cuerpo, predisponiéndolo a la enfermedad, tanto física como mental. Si es así, se puede suponer que cuando una persona está en desequilíbrio energético, incluso por emociones, pasiones, sentimientos, excesos, puede perder el alma o ser atrapado por fuerzas vitales extrañas (CAMBEROS, 2013, p. 158).

            Não seria demasiado frisar que nossa conduta mental influi, direta e decisivamente, em nossa atmosfera fluídica que, por sua vez, impressiona nosso corpo espiritual; se equilibrado e harmônico, transubstancia “defeitos” em virtudes; se em desequilíbrio, transmite deficiências, com maior ou menor efeito, com reflexos crônicos.

            Rearmonizar os centros de força é, antes de tudo, reformar-se moralmente, vibrando em ondas de mais elevado teor moral, fazendo valer nosso centro coronário como captador das boas energias espirituais e distribuir o equilíbrio devido aos demais centros, processo que se dá naturalmente pela evolução, aperfeiçoamento e espiritualização do nosso Ser imortal.

            Analisando como e onde se originam a enfermidade, Camberos (2013, p. 163) pondera que a energia vital do cosmos atravessa livremente o corpo físico de uma pessoa através dos chakras.

Esa fuerza energética, como realidad básica que se condensa, equilibra y forma la materia, nutre los órganos, tejidos y células, y regula todas las funciones vitales. Pero cuando esa energía resulta bloqueada y se interrumpe su circulación por el cuerpo físico, sobreviene una disfunción en los órganos, tejidos y células del cuerpo, dando inicio a la enfermedad. El cuerpo vibra según los estímulos que recibe, pero cada célula tiene su propio nivel de vibración. Las emociones son importantes en el mantenimiento de la salud, pero también en la generación de una potencial situación de enfermedad.

 

Referências Bibliográficas

CAMBEROS, Alberto de la G. M. Bases energéticas de la medicina académica y de la medicina tradicional. Estudios Bolivianos, n. 18, p. 143-167, 2013. Acesso em 07/02/2017.

FREITAG, Vera L.; ANDRADE, Andressa de; BADKE, Marcio R. O Reiki como forma terapêutica no cuidado à saúde: uma revisão narrativa da literatura. Enfermería Global, n. 38, p. 346-356, abr. 2015. Acesso em 08/02/2017.

GERBER, R. Um Guia Prático de Medicina Vibracional. São Paulo: Cultrix, 2000.

GOSWAMI, Amit. A física da alma. São Paulo: Aleph, 2005. (Série novo pensamento)

KULCHESKI, Edvaldo. Os Chacras. In: REBELO, Victor (ed.). Saúde Integral: os chacras e a bioenergia. São Paulo: Editora Escala, s/d, p. 43-88.

MOTOYAMA, Hiroshi. Teoria dos chakras: ponte para a consciência superior. 2.ed. São Paulo: Pensamento, 2004.

SIEGEL, Pamela; BARROS, Nelson de F.; Yoga, Saúde e Religião. Último Andar – Cadernos de Pesquisa em Ciência da Religião, n. 21, p. 164-180, mar. 2013. Acesso em 08/02/2017.

TEOTIA, Harendra S.; TEOTIA, Rita. Yoga e Saúde. Dieta, relaxamento, respiração, posturas, meditação & estresse. Campina Grande-PB: Oriental Yoga Center, 2000.

 

 

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