Star Trek: guerra e paz no espaço intergaláctico

por Alexsandro M. Medeiros

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postado em set. 2017

Espaço! A fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Prosseguindo em sua missão para explorar novos mundos, pesquisar novas vidas e novas civilizações. Audaciosamente indo aonde ninguém jamais esteve.

            A Federação Unida dos Planetas é um Estado federal interestelar que abriga mais de 150 planetas-membros e milhares de colônias, de fins pacíficos e humanitários, com seus ideais democráticos e republicanos e o objetivo de promover os valores da liberdade, igualdade, paz e cooperação entre seus planetas-membros. Uma versão otimista e ideal da ONU (Organização das Nações Unidas)?

            Merece destaque a Frota Estelar, o braço diplomático, militar e de exploração do espaço intergaláctico da Federação, que tem seu quartel general em São Francisco, cuja nave mais sofisticada é a USS Enterprise, responsável pela missão de exploração do espaço.

            Como toda Organização, a Federação tem suas normas e regulamentos, como o Código de Conduta Ética (regulamento 17.43 do Código da Frota Estelar), o Código Médico e seus Protocolos de Segurança.

            Merece destaque dentro de seu regulamento a norma designada como Primeira Diretiva, que restringe a interferência da Frota Estelar nos assuntos internos de culturas alienígenas externas e não-hostis à Federação.

            Com o início das explorações espaciais por parte da Frota Estelar, A Federação sentiu a necessidade de criar normas específicas quanto a fazer ou não o Primeiro Contato:

É proíbido a todas as naves e membros da Frota Estelar interferir com o desenvolvimento normal de uma cultura ou sociedade. Essa diretiva é mais importante do que a proteção das naves ou membros da Frota Estelar. Perdas são toleradas, caso sejam necessárias para a observação dessa diretiva.

 

Guerra e Paz no espaço intergaláctico

            Se não existe mais guerra entre a humanidade e os problemas sociais parecem ter sido resolvidos, o mesmo não se pode dizer do espaço intergaláctico. A Federação já entrou em conflito bélico com vários corpos políticos interestelares, notavelmente os Klingons e os Romulanos.

            Os três novos episódios da franquia de 2009, 2013 e 2016 (que serviu de base para a elaboração deste texto) tem como palco de disputa pelo poder intergaláctico os Planetas da Federação: Terra, Vulcano, Romulus; o Planeta do Império Klingon: Kronos; e o Planeta em um espaço não mapeado: Altamid.

            O primeiro episódio da nova produção cinematográfica se passa entre as datas estelares: 2233.04 a 2258.42 e ressalta o desejo de vingança do romulano Nero contra a Federação.

            Nero culpa o embaixador Spock e a Federação por não terem ajudado em tempo hábil a controlar a explosão de uma estrela que levou a destruição do seu planeta. Motivado por vingança, Nero destrói Vulcano, utilizando matéria vermelha e criando um buraco negro que engole Vulcano e pretende fazer o mesmo com a Terra e destruir a Federação. Nero passa a ser considerado um criminoso de guerra pelo genocídio do povo pacífico de Vulcano. Dos mais de 6 milhões de habitantes, menos de 10 mil sobreviveram.

            Depois de intensas lutas, Kirk e sua tripulação evitam a destruição do planeta Terra.

            O segundo episódio se passa na data estelar 2259.55 e inicia com uma missão da Enterprise para salvar o planeta Nibiru de uma iminente destruição devido uma erupção vulcânica, o que é uma violação da primeira diretriz, segundo a qual o propósito da Frota Estelar é sempre explorar e observar e nunca interferir.

A missão não sai como esperado e Spock se vê na iminência da morte em meio as larvas do vulcão. Para salvar seu primeiro imediato e amigo Spock, o capitão James T. Kirk viola novamente a primeira diretriz, fazendo com que a Enterprise seja vista pelos primitivos habitantes do planeta. Apesar de Spock, sempre procurando agir de acordo com as regras e a lógica, ser contra a atitude da Enterprise, ponderando que as necessidades de muitos são sempre mais importantes que as de apenas alguns.

            Mas o eixo central da trama se passa para derrotar o poderoso Khan, que pertence a um grupo de superhumanos geneticamente modificados sem as limitações mentais e físicas dos humanos normais. A maioria destes superhumanos foram mortas ou sentenciada a morte, todavia, Khan e outros 72 de sua espécie foram congelados criogenicamente. Neste novo episódio da série, Khan é despertado pelo almirante Marcus que pretende usar suas habilidades de alguma forma para dominar e vencer a guerra contra os Klingons. A partir de um plano ardiloso do Almirante Marcus, este pretende eliminar Khan e todos os que sobraram de sua espécie devido ao perigo que eles acarretam e ainda iniciar uma guerra com os Kligons, usando a Enterprise como uma espécie de bode expiatório.

            Ao descobrir a origem de Khan (diga-se de passagem revelada por ele mesmo), Kirk e sua tripulação se dão conta que estão no meio de um plano ardiloso do Almirante Marcus. Para derrotar o Almirante, Kirk se alia a Khan e em um diálogo com Spock usa o provérbio árabe (atribuído a um príncipe que foi traído e decapitado pelos próprios súditos): o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

            Após frustrar os planos do Almirante Marcus e derrotar Khan, a Enterprise segue agora para uma missão de 5 anos para explorar o espaço. Indo audaciosamente aonde ninguém jamais esteve.

            O terceiro episódio ocorre durante a data estelar 2263.2. São 966 dias no espaço ao longo da missão de 5 anos. A trama inicia com uma missão diplomática de paz entre a República fibonana e a Delegação Teenaxi, mas os esforços diplomáticos de James T. Kirk, que na negociação representa a república fibonana e tem em mãos uma espécie de presente para oferecer a Delegação Teenaxi para selar a paz, não são bem sucedidos.

            Neste episódio aparece uma base estelar avançada da Federação, Yorktown, com um design bem futurístico – uma espécie de cúpula e estrutura fechada transparente que parece gerar gravidade artificial em seu interior – e onde homens e diferentes espécies alienígenas convivem harmoniosamente.

            Em Yorktown, a Federação recebe um pedido de ajuda para resgatar uma tripulação presa no planeta Altamid, localizado em um espaço ainda não mapeado, sem saber que está prestes a cair em uma armadilha do vilão Krall que planeja destruir a Federação Unida dos Planetas.

            Krall está em busca da Abronath (o mesmo artefato que Kirk utilizou na missão diplomática entre a república fibonana e os Teenaxi): uma arma usada por uma civilização antiga com um grande poder letal e por isso foi separada em duas metades e lançadas no espaço. De posse da Abronath, Krall planeja lançar um ataque contra a base Yorktown e em seguida destruir a própria Federação.

            A Tenente Uhura descobre que Krall é, na verdade, o capitão Balthazar Edison, que pertenceu ao grupo de Operações de Comando de Ataque Militar em uma época pré-formação da Federação que ficou desiludido com seus princípios de unidade e cooperação, acreditando que não é a paz que forma uma pessoa, mas sim a luta.

            Além disso, Krall se ressente por não ter recebido ajuda da Federação quando sua nave e sua tripulação se perderam em uma nebulosa próxima do plante Altamid. Krall era considerado, inclusive, um herói de guerra na base estelar Yorktown. Seu desejo de vingança contra a Federação é motivado também pelo fato de acreditar que a paz não deveria ter sido selada com seus inimigos, não depois de que milhões de vida foram perdidas nas guerras romulanas e com os demais inimigos. É a luta que torna a humanidade forte, acredita Krall, e por isso ele deseja que a Galáxia esteja em luta.

            Krall e outros dois sobreviventes conseguiram prolongar suas vidas com algum tipo de tecnologia dos habitantes originais de Altamid e por isso não tem a aparência de um ser humano.

            Novamente a Enterprise frustra mais um plano de guerra intergaláctico, consegue manter a paz, e segue em sua missão diplomática explorando novos mundos, pesquisando novas vidas e novas civilizações.

 

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