Tecnologia e Trabalho

            Com a revolução tecnológica e digital muitas pessoas acreditam na possibilidade de que as máquinas irão tomar nossos empregos e ocupar funções para as quais são bem mais ágeis. É verdade que em parte isso está acontecendo, mas por outro lado, essa mesma revolução também tem criado novas demandas e, com isso, gerando a possibilidade de trabalho para muita gente.

            De um lado há os pessimistas e, do outro, os otimistas. Os pessimistas acreditam que, de fato, temos motivos para nos preocuparmos, como é o caso de uma análise feita pela consultoria Ernst & Young a partir de um estudo que diz que, até 2025, um em cada três postos de trabalho deve ser substituído por tecnologia inteligente.

            Esse sinal de alerta é importante, mas não é motivo para tanta preocupação, dizem os otimistas porque a cada avanço tecnológico novas possibilidade de emprego serão criadas e se por um lado as máquinas irão substituir trabalhos que são operados por homens e mulheres, por outro novas demandas serão incorporadas ao mercado de trabalho criando novas oportunidade de emprego já que uma máquina, software ou robô nem sempre é capaz de fazer exatamente o que fazemos. Por isso a dica é: acompanhe as novas tendências tecnológicas e avalie como elas podem impactar sua profissão.

            Já existe até uma lista de empregos que correm o risco de extinção nos próximos anos: operadores de telemarketing que serão substituídos por atendimentos robotizados; caixas de banco, à medida que cresce o número de transações digitais realizadas pelos correntistas; caixas de loja, à medida que a tecnologia permitir ao cliente passar sua compra pelo código de barra, efetuar o pagamento e colocar tudo na sacola sem o auxílio de um funcionário; e o atendente de check-in no aeroporto, já que algumas companhias aéreas já permitem ao passageiro realizar o próprio check-in através da internet, celular e totens digitais e até mesmo etiquetar sua bagagem por meio dos totens.

         Mas é claro que essa extinção de postos de trabalho ainda levará algum tempo para acontecer e virá de forma gradativa. Novas tecnologias custam caro e, na maioria dos casos, dependendo da função, a máquina ainda não substitui a sensibilidade e a capacidade de interação humana.

           Mas será que a tecnologia também não trará novos empregos no futuro?

        O mercado de trabalho promete se transformar e já está se transformando ao longo dos anos e a demanda por profissionais especialistas em tecnologia vem crescendo ao mesmo tempo em que a previsão é de que um em cada três postos de trabalho seja substituído por tecnologia inteligente.

         2016 foi um ano atípico nesse processo. Se até algum tempo atrás podemos dizer que sobravam vagas e faltavam profissionais qualificados para preenche-las em praticamente todas as áreas de TI, com o enfrentamento da crise política e econômica pela qual passou e passa o Brasil em 2016 mudou um pouco esse cenário aumentando os índices de desemprego no país e o cenário já não é tão otimista este ano. É a relação inversa entre oferta e demanda. Diminui a oferta de trabalho e aumenta a demanda por emprego. Dentre os setores mais afetados estão os profissionais que trabalham com ERPs, os sistemas de gerenciamento que integram todos os processos de uma empresa em um único software.

         Apesar da crise, o salário de alguns profissionais de TI é bem estimulante de acordo com um estudo realizado pela consultoria Robert Half. Para ilustrar a média salarial dos cargos com demanda de profissionais, a consultoria apontou três cargos com destaque: Desenvolvedor de software Salário em 2016: R$ 3.100 – R$ 8.000; Gerente de produto Salário em 2016: R$ 8.000 – R$ 15.000; Gerente de Big Data Salário em 2016: R$ 8.000 – R$ 18.000.

          E nem tudo é pessimismo. Dentre as carreiras mais promissoras para 2017 estão: o cientista de dados (que às vezes também é chamado de analista de Big Data); especialistas em cloud computing – a computação na nuvem; e desenvolvedores de softwares e aplicativos.

            Nesse cenário algumas dicas são fundamentais: buscar uma formação mais diversificada, procurar um viés de negócio na sua função e falar inglês (indispensável).

            Mas finalmente, quais serão as profissões do futuro que irão exigir cada vez mais profissionais especialistas em tecnologia? Aí vai algumas dicas: impressão 3D, realidade virtual, automação residencial, internet das coisas e computação na nuvem.

            A impressão 3D chama atenção e vem evoluindo muito rapidamente e existem previsões de que sua aplicação irá alcançar áreas como a medicina e a engenharia civil. Engenheiros, designers, matemáticos e até médicos já trabalham em empresas de impressão 3D – mas o espaço para ser ocupado neste setor ainda é grande.

            À medida que a tecnologia vai avançando, nossas casas também vão ficando cada vez mais automatizadas e essa é outra tendência crescente para o mercado de tecnologia, com soluções digitais para casas e escritórios inteligentes e automatizados. Sem falar na questão da segurança.

            E o que dizer da realidade virtual? A procura por gente que saiba desenvolver esses ambientes digitais também deve crescer bastante e são muitos os profissionais envolvidos com o desenvolvimento de realidade virtual: designer, arquiteto, programador. Mas para mexer com realidade virtual é preciso um pouco autodidata e curioso já que não existe nenhum curso específico para quem quer trabalhar com o tema.

 

Chips em funcionários?

Com o avanço da tecnologia e as inúmeras possibilidades que estas inovações vem proporcionando e alterando as relações de trabalho, funcionários de algumas empresas nos Estados Unidos (onde a implantação do chip é aprovada desde 2004 pelo FDA, a agência federal de administração de medicamentos e alimentos) e na Bélgica, aceitaram ter microchips implantados embaixo da pele simplesmente para tornar algumas tarefas do dia a dia mais simples e rápidas.

A técnica consiste em um implante subcutâneo de um chip do tamanho de um grão de arroz, envolto em uma capa de vidro biocompatível, com o objetivo de: abrir portas, acessar máquinas e computadores, compartilhar informações e até pagar contas sem precisar do cartão de crédito ou do smartphone.

O microchip possui tecnologia de identificação por radiofrequência, NFC que permite a troca de informações por proximidade. O implante não precisa de bateria pois o dispositivo captura energia através do campo eletromagnético do dispositivo que se aproxima como o smartphone ou o computador, por exemplo.

A grande polêmica reside no fato de saber como fica a privacidade do trabalhador. Será que ele vai ser rastreado através do microchip? As empresas que já colocaram chip em seus funcionários garantem que não! Primeiro, porque toda informação armazenada no dispositivo é criptografada e o implante não pode ser rastreado por GPS nem qualquer outro sistema de geolocalização.

 

Profissionais autônomos usam aplicativos de serviço para driblar a crise

Mais de 13 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil. Mas o brasileiro, diz o ditado, não desiste nunca e, ultimamente, tem muita gente recorrendo à tecnologia para colocar comida na mesa ou simplesmente complementar a renda familiar.

Diversos aplicativos oferecem diferentes oportunidades de fazer um dinheiro extra: seja dirigindo um carro, alugando um quarto na sua casa ou até o apartamento inteiro, fazendo entregas ou prestando alguns tipos de serviços sob demanda.

A princípio, quando a crise bateu, o Márcio ficou bastante preocupado. Ele é técnico de informática, mas abandonou a tecnologia há mais de 15 anos para se dedicar à massoterapia. Mas a instabilidade econômica do país abalou seus negócios...

A sugestão do amigo fez, como em um passe de mágica, que o Márcio entrasse para o mundo das duas rodas. O conhecimento em informática ajudou na hora de lidar com o aplicativo que oferece o serviço de entregas sob demanda. Hoje, a principal fonte de renda do Márcio...

Sem contrato ou chefe, ele faz sua própria agenda. Combinando as entregas e massagens – que, aliás, deixaram de ser sua principal fonte de renda -, ele chega a faturar mais de três mil reais por mês. Só no último feriado, em três dias, fez mil e cem reais em cima da moto.

A Driele também entrou para o mundo dos aplicativos para oferecer o serviço de manicure e se transformar na própria chefe.

A manicure descobriu o app há cerca de dois anos, quando veio morar em São Paulo; a parte do serviço foi bem mais fácil, afinal, em Minas Gerais, ela administrou um salão de beleza durante 12 anos. A crise foi cruel com o estabelecimento, mas através da tecnologia ela não só encontrou uma nova fonte de renda, mas acabou transformando sua vida e de toda a família...

A crise econômica e o consequente desemprego fez muita gente buscar alternativas. O serviço que mais ganhou novos adeptos foi o de motorista particular, de aplicativos como o Uber, Cabify e similares. Mas, como deu para ver, há outras possibilidades além de dirigir um carro pelas ruas da cidade. Em comum, a tecnologia que acaba por oferecer opções para quem às vezes está num beco sem saída...

 

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