A Tecnologia através de aplicativos na área da saúde

            A medicina é umas áreas que mais tem se beneficiado com os avanços tecnológicos, para a melhoria dos serviços de saúde. Seja em áreas como a Fonoaudiologia, Cardiologia, Neurologia e muitas outras.

 

Fonoaudiologia

            A Fonoaudiologia – especialidade que compreende o tratamento da linguagem, das mecânicas da fala e também da audição – tem se beneficiado com a tecnologia no uso  de dispositivos modernos e miniaturizados que prometem uma revolução na reabilitação auditiva ou com a utilização de aplicativos lúdicos que mais parecem joguinhos que ajudam no tratamento de crianças com problemas de fala e linguagem.

            O surgimento de um aplicativo, em formato de game, pode ajudar no tratamento de crianças com lábios leporinos. No app criado para tratar de distúrbios da fala e linguagem aumenta bastante o engajamento da criança, ajudando as crianças a realizarem exercícios complementares em casa na frequência recomendada. O app ajuda com uma estratégia usada na fonoaudiologia, mas agora de forma lúdica e divertida: através do app a criança precisa soprar e pronunciar fonemas específicos.

            Usando há muito tempo minúsculos dispositivos na reabilitação auditiva, a fonoaudiologia tem agora um dispositivo que é capaz de analisar o som em tempo real em 360 graus, com um algoritmo que analisa o som ambiente mais de 100 vezes por segundo e equilibra o que o usuário escuta. Os aparelhos menos modernos captam o som apenas à frente do usuário. A principal inovação de toda essa tecnologia miniaturizada é a capacidade de ajudar o cérebro a entender com mais clareza o que o usuário ouve. E esse dispositivo também tem um aplicativo próprio para ser controlado por smartphone, através de uma conexão Bluetooth, que permite ser usado como um fone de ouvido com diversos equipamentos e a possiblidade de interagir com uma série de soluções aplicando o que há de mais genuíno no conceito de Internet das Coisas.

 

Cirurgia

            No campo da cirurgia, cirurgiões e pesquisadores de Melbourne, na Austrália, como Bob Jones, estão usando inteligência artificial para criar um sistema semelhante ao Tinder, sendo que para transplantes de órgãos, com um algoritmo de aprendizagem de máquina que usa múltiplas características dos doadores e receptores para prever o resultado de um transplante. O sistema tem como objetivo reduzir as chances de rejeição em pacientes que passam por transplantes de fígado. 

            O sistema avalia várias características dos envolvidos como idade, gênero, tipo sanguíneo e a doença que motivou o transplante.

            Considerando, no entanto, os vários fatores envolvidos em um transplante, uma ferramenta desse tipo deve ser usada para ajudar na decisão, mas não para criar a decisão.

 

Outras aplicações/aplicativos

            Outros aplicativos utilizam o modelo de internet colaborativa (crowdsourcing) para ajudar as pessoas no cuidado com a saúde, no mesmo estilo do Waze, aplicativo de GPS que informa em tempo real as condições de tráfego ao redor do usuário.

            Um destes aplicativos, o “Saúde na Copa” foi utilizado identificar precocemente qualquer tipo de surto ou epidemia durante o evento esportivo no Brasil, com a informação que era repassada pelos usuários que permitia, em tempo real, notificar sintomas como febre, dores de cabeça e diarreia. Se houvesse um grande número de notificações o Ministério das Saúde seria rapidamente alertado podendo assim agir de forma rápida e preventiva. De modo similar o app “Guardiões da Saúde”, foi utilizado nos Jogos Olímpicos do Rio. O funcionamento é o mesmo: a partir da colaboração do usuário, que informa sobre seus sintomas, pode-se construir um mapa de ocorrência de doenças infecciosas, como sarampo, dengue ou gripe e as informações são usadas para a tomada de decisões do Ministério da Saúde.

            O grande desafio destes aplicativos é convencer as pessoas da importância de colaborar assim como elas já fazem no Waze. Para que resultados mais contundentes possam ser colhidos é preciso que haja um grande banco de dados, que depende das informações que são repassadas pelos usuários.

            O aplicativo Natural Cycles – que combina algoritmos inteligentes, inteligência artificial e aprendizado de máquina –, foi primeiro software do mundo a ser oficialmente certificado por autoridades de Saúde como uma ferramenta de método anticoncepcional, para controle do ciclo menstrual, semelhante aquelas “tabelinhas” usadas pelas mulheres.

            A partir das informações fornecidas pelas usuárias, como temperatura corporal informações sobre cólica e até humor, o app aprende a identificar o ciclo fértil da pessoa. O resultado é uma eficácia tão grande quanto outros métodos mais populares como a pílula, por exemplo.

            Se a pílula anticoncepcional foi revolucionária nos anos 60, hoje esses aplicativos trazem – além de um método mais natural – maior autonomia, conhecimento e controle do próprio corpo para as mulheres.

            Recentemente, o próprio Ministério da Saúde recorreu à tecnologia na tentativa de facilitar a  adesão de pacientes ao tratamento de Aids. O aplicativo “Viva Bem” lembra os pacientes sobre o horário de tomar o medicamento ou mesmo quando devem buscá-lo nos serviços de saúde. O app funciona como uma espécie de diário onde podem ser registrados dados de carga viral e exames. A ferramenta cria ainda um gráfico de acompanhamento que pode ser visualizado de um ou mais itens ao mesmo tempo.

            Outros três aplicativos desenvolvidos pelo Programa Municipal de DST/AIDS da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo unem forças na luta contra essa pandemia mundial. O “Tá Na Mão” é uma calculadora de risco que informa a chance de uma pessoa ter entrado em contato com o vírus HIV. Usando o GSP do celular, o app ainda mostra os locais mais próximos onde a pessoa pode buscar tratamento, fazer o teste e até retirar camisinhas gratuitas.

            Os outros dois apps, também gratuitos, trazem informações técnicas atualizadas para o profissional da saúde.  O TVSP fala sobre o tratamento e prevenção de transmissão de infecções de mãe para filho. E o PEPTec ajuda os médicos no atendimento de pacientes que passaram por situações com potencial risco de infecção pelo vírus HIV.


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Texto elaborado a partir de uma série de reportagens exibidas através do programa Olhar Digital