A Tecnologia através de aplicativos na área da saúde

Tecnologia e Saúde

 

Médicos criam 'Tinder de transplante de fígado' com inteligência artificial

 

         

Cirurgiões e pesquisadores de Melbourne, na Austrália, estão usando inteligência artificial para criar um sistema semelhante ao Tinder, mas para transplantes de órgãos. O sistema tem como objetivo reduzir as chances de rejeição em pacientes que passam por transplantes de fígado. 

Bob Jones, um dos médicos envolvidos na criação do sistema, explicou ao Mashable que ele "é um algoritmo de aprendizagem de máquina que usa múltiplas características dos doadores e receptores para prever o resultado [de um transplante]". Ao todo, o sistema avalia cerca de 25 características dos envolvidos, incluindo idade, gênero, tipo sanguíneo e a doença que motivou o transplante.

A inteligência artificial foi treinada e, em seguida, utilizada para avaliar 75 casos de transplantes cujos resultados já eram conhecidos. Ao todo, ele foi capaz de acertar com 84% de precisão a incidência de problemas em até 30 dias após o transplante. Utilizando os métodos tradicionais, a precisão foi de apenas 68%.

 

Match

 

Jones acredita que uma aferição mais cuidadosa da compatibilidade entre doador e recipiente pode ser suficiente para reduzir de maneira considerável os problemas de rejeição em trabsplantes de fígado. O sistema está em fase inicial de pesquisa, mas um artigo acadêmico sobre ele já foi enviado a diversos periódicos, e ele em breve entrará em fase de testes com as devidas aprovações éticas, segundo o Mashable.

No entanto, Jeremy Chapman, um especialista em transplantes renais do hospital Westmead, da Austrália, considera que o método pode não ser tão universal quanto esperado. "Podem haver perticularidades na maneira como realizam esses procedimentos [transplantes] em Sydney. Isso significa que o que funciona em Sydney pode não funcionar em Cincinnati", disse. 

Chapman também lembra que a compatibilidade perfeita é apenas um dos fatores a serem levados em conta na hora de criar pares doador-receptor. Outro fator importante é o melhor uso possível dos órgãos. Em outras palavras, seria melhor realizar dois transplantes com 80% de chance de dar certo do que realizar um com 100% e outro com 50%. Por esse motivo, Chapman considera que uma ferramenta desse tipo deve ser usada para "informar a decisão, mas não para criar a decisão".

 

 

"Waze da Saúde" alerta sobre doenças ao seu redor

 

            O crowdsourcing é uma forma de usar a internet para que pessoas possam colaborar coletivamente para um objetivo comum. O Waze, aplicativo de GPS que informa em tempo real as condições de tráfego ao redor do usuário é um dos maiores exemplos do poder do crowdsourcing. Agora, uma empresa brasileira tenta convencer as pessoas para que elas tenham com a Saúde a mesma preocupação que têm com o trânsito.

            A ideia surgiu da proposta de juntar tecnologia e saúde pública através do desenvolvimento de soluções digitais que tivessem impacto na vida das pessoas: o melhor caminho foi apostar no potencial colaborativo da internet. O primeiro projeto foi o aplicativo “Saúde na Copa” para tentar identificar precocemente qualquer tipo de surto ou epidemia durante o evento esportivo no Brasil. Quase 10 mil pessoas baixaram a ferramenta de notificação, em tempo real, de sintomas como febre,dores de cabeça e diarreia. O Ministério da Saúde usou as informações coletadas e, em dois meses, com mais de 47 mil registros coletados, nenhum surto foi detectado.

            Com o sucesso do primeiro desafio, o novo resultado é o app “Guardiões da Saúde”, que já conta com mais de três mil usuários e espera atingir 100 mil cadastrados até o final dos Jogos Olímpicos do Rio. O funcionamento é o mesmo: a partir da colaboração do usuário, que informa sobre seus sintomas, a empresa constrói mapas de ocorrência de doenças infecciosas, como sarampo, dengue e gripe - as informações são usadas para a tomada de decisões do Ministério da Saúde.

            A mesma empresa brasileira também gerencia a plataforma “Flu Near You”, que faz o mapeamento colaborativo de casos de influenza nosEstados Unidos e Canadá. Lá já são mais de 150 mil usuários cadastrados e ativos e os resultados são promissores.

            No Brasil, a base de usuários ainda precisa crescer para que resultados mais contundentes possam ser colhidos. O primeiro passo já foi dado. O grande desafio é convencer as pessoas da importância de colaborar assim como elas já fazem no Waze… Se você quiser participar e até ficar ligado nas doenças que cercam sua região, agora já sabe por onde começar. Colaborar não dói nada…

 

Aplicativo já pode substituir o anticoncepcional na Europa; entenda o sucesso

 

Tabelinha 2.0! O popular método anticoncepcional usado pelas nossas avós – ou para alguns, só pelas bisavós – ganhou uma dose extra de credibilidade graças à tecnologia; combinando algoritmos inteligentes e apps bem inovadores para smartphones. Um desses aplicativos foi inclusive aprovado pelo Ministério da Saúde da Alemanha para prevenir a gravidez indesejada – assim, a ferramenta já pode ser classificada como um dispositivo médico em toda Europa. O aplicativo Natural Cycles é o primeiro software do mundo a ser oficialmente certificado por autoridades de Saúde. Mas com o sucesso, outros que fazem praticamente a mesma coisa já surgiram nas lojas de aplicativos de iPhones e Androids.

Aplicativos para controle do ciclo menstrual já existem há algum tempo. A novidade desses serviços é que agora eles utilizam inteligência artificial e aprendizado de máquina para, através das informações fornecidas pelas usuárias, aprender melhor a identificar o ciclo fértil. O resultado é uma eficácia tão grande quanto outros métodos mais populares como a pílula, por exemplo.

Cansada dos efeitos colaterais que a pílula anticoncepcional causava, a Paula conheceu essa categoria de aplicativos quando decidiu buscar uma solução mais natural e menos invasiva para não ter uma gravidez indesejada.

Além da temperatura corporal, alguns aplicativos pedem que a usuária coloque também informações sobre cólica, humor, pele, cabelo... Diferente da antiga tabelinha, os aplicativos também respeitam o fato de que nem todas as mulheres têm ciclos regulares. O algoritmo calcula os alertas partindo do princípio de que é possível engravidar em apenas seis dias por mês.

Alguns aplicativos são mais precisos que outros. O Natural Cycles, que foi aprovado na Alemanha, promete ser até mais seguro do que a camisinha, com taxas de eficácia parecidas às das pílulas. Em testes realizados com mil mulheres, menos de cinco engravidaram. Outros apps que não utilizam o mesmo algoritmo, podem ser menos seguros. E existe um motivo que não tem nada a ver com as mulheres para isso.

Interessante é que esses mesmos aplicativos também servem para o outro lado da moeda. A observação do ciclo menstrual com a ajuda da tecnologia tem resolvido pelo menos 20% das queixas de mulheres com dificuldade de engravidar. Se a pílula anticoncepcional foi revolucionária nos anos 60, hoje esses aplicativos trazem – além de um método mais natural – maior autonomia, conhecimento e controle do próprio corpo para as mulheres.

 
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